trabalhar em casa tem suas vantagens. a maior delas é poder roubar as massas de panquecas logo depois de serem fritas, ainda quentes e sem recheio.
certo que na realidade jesus não deu pão pros apóstolos na santa ceia. se ele era o Filho do Homem, mesmo, ele deu panquecas. e se ele era esperto, o santo sudário também era, na verdade, uma panqueca gigante. se me enterrarem enrolado numa panqueca gigante, eu juro: eu também ressuscito com todas as minhas forças.
obs: as marcas do rosto e corpo de jesus no santo sudário são lenda. na verdade, eram apenas as marcas de de queimado da frigideira que fritou esta grande panqueca.
hoje, 25 de maio, é o dia do orgulho nerd. tecnicamente, sou um deles. diplomado, inclusive. sou técnico em processamento de dados, formado pelo colégio técnico industrial da então fundação universidade federal do rio grande (CTI-FURG). nada comparado ao chuchu, vulgarmente conhecido como márcio. ele se formou pelo mesmo CTI, depois pela PUC, depois pelo mestrado da PUC e, na última sexta, partiu pra frança, rumo ao doutorado. detalhe: na graduação da PUC, ele foi laureado.
ou seja: master nerd. e como ele é? cara alto, magro, boa pinta, já fez um show de metal de sapato social e uma camisa meio pagodeira mas na média se veste bem, pratica esportes, mal usa óculos e, pelo que me contava e pelo que eu calculo, comia gente com alguma regularidade. me desculpem, meninas, se é que alguma menina lê isso aqui. e ele ainda tem uma camiseta onde está estilosamente estampado: "NERD". e eu, como eu sou? quase a mesma coisa: apenas nunca fiz show de metal com sapato social e camisa meio pagodeira, uso óculos "a valer" e não como gente, pois tenho namorada - namoramos no portão.
a kátia suman, via programa dela na tvcom, entrevistou alguns nerds. com toda sinceridade: 4 pessoas fisicamente feias, 2 delas bem acima do peso (outra PRA CARALHO), todas de óculos, uma com uma camiseta com alguma frase sobre nerds escrito num layout imitando star wars. falando sobre computadores, videogames e afins. eram estereótipos, caricaturas de nerds. até que o grupo chega à conclusão surpreendente de que hoje somos todos nerds. todos estamos o dia inteiro na frente do computador, todos temos multimídia no celular, blogs, twitters, etc.
se isso é ser nerd, fato: já há gerações de geeks por aí. e nós, seres humanos, seremos irremediavelmente nerds por todo e para todo sempre, a menos que haja um cataclisma e que tenhamos que começar das cinzas, do zero.
mas se era pra concluir isso, então por que raios os nerds chamados pro programa tinham de ser tão NERDS?
do post a cara do tango, aqui mesmo no ttdl, em 5/6/2008: "mas o que interessa MESMO é que dizem que o riquelme, aqueles olhos caídos e expressão chorona que fez uma barreira recuar mais 1 metro além dos 9,15m regulamentares, é a cara do tango. pois ontem ele era só cara de cu. TE FODE, BUÊCA!"
pois hoje, mais uma vez: CARA DO TANGO, CARA DE CU! ADIÓS BUÊCÁ!
essa gripe suína é muito curiosa. já chegou nos 10.000 infectados pelo mundo e tal. pelas últimas notícias, os chineses são a novidade. ou quem sabe os japoneses, não sei. são todos iguais (não diga pra eles).
duas ou três semanas atrás o fantástico botou no ar uma reportagem sobre o primeiro de todos os casos. o piá, de 5 anos, passou 2 semanas mal, mas agora tá correndo na rua e jogando bola. além disso, boa parte dos que foram correndo pro hospital achando que tavam com a doença na real tavam com outra coisa. os caras entraram em desespero imediato e total.
hoje, se ouve notícias no rádio, mas no jornal ela já perdeu espaço. no globo.com, terra e clicrbs não tem nada. e qual a moral? a moral é que tava faltando um fato novo: desde junho do ano passado só se fala da crise econômica mundial. nem o obama conseguiu substituir - só rivalizou por uns tempos. a mídia tava desesperadamente precisando mudar de assunto. então taí. essa é a gripe suína, a wannabe-pandemia que continua matando menos que a gripe normal. e tomara que eu NÃO queime a língua. o RS já tá mals segurança. a hora que a gripe do porco chegar aqui, ainda ficamos sem a brigada militar...
*** gripe aviária ou do frango se justificava, mas dessa vez o porco pagou o pato. a gripe era suína e mesmo assim comer carne podia? então não é suína, porra! chama de chicana, sei lá! o que não pode é deixar a bola quicando: milagre os ecoloucos e defensores dos animais não terem entrado com processos por danos morais.
muito legal essa propaganda do HSBC, nomeada "bebê gigante". mas achei muito curiosa a coincidência de ligar um bebê gigante a serviços/questões financeiras, porque uma das músicas que eu mais tenho escutado atualmente faz exatamente essa associação, só que na letra bem bolada de everything's ruined, do faith no more, o bebê gigante é o capitalismo, e o que começa com um genial "we were so happy" termina repetindo o título do som. o clipe tem imagens de família aleatórias, e até o clima de gozação da banda, junto com as imagens da montagem de chroma key tosca ao fundo, rende um certo ar de oba-oba. que deve ser bem a moral da história, mesmo: as coisas deram mais certo que a gente esperava.
we were so happy...
things worked out better than we have planned capital from boy, woman and man we're like ink and paper numbers on a calculator knew arithmetic so well working overtime completed what was assigned we had to multiply ourselves a bouncing little baby a shiny copper penny
and he spent himself would not listen to us but when he lost his appetite he lost his weight and friends
baby became a fat nickel so fast then came puberty exponentially soon our boy became a million
people loved him so and helped him to grow everyone knew the thing that was best of course, he must invest
a penny won't do no, a penny won't do a penny won't do no, a penny won't do
but he made us proud he made us rich but how were we to know? he's counterfeit
eu espirro profissionalmente desde os meus 7 ou 8 anos, coisas tipo de 10 a 15 espirros numa seqüência. são espirros pra macho - de elefante. a principal diferença entre um espirro meu e uma falta cobrada pelo roberto carlos (nos bons tempos) é que eu não sei espirrar de trivela.
sempre foi um caos detectar as razões por trás dos fatos. entre 15 e 20 anos atrás, as suspeitas eram de sinusite, mas ninguém jamais confirmou. há alguns anos eu passei a acreditar na rinite, e é o que parece mesmo. em todo caso, esse tempo todo eu nunca cheguei a realmente me incomodar... tanto quanto ando me incomodando agora: do ano passado pra cá as crises começaram a se superar, e esse ano eu finalmente cheguei duas vezes a algum estado de quase invalidez. espirrar várias vezes na seqüência, várias seqüências no dia, vários dias na seqüência. estourando vasos sangüíneos e, ao final do dia, tendo dores nos músculos do peito, do braço esquerdo (infarto? wtf??), abdominais, pescoço e costas, espirrando curvado, já. sem nenhum exagero: dores assustadoras. pela primeira vez na minha vida, me ocorreu que é possível, sim, morrer de rinite. uma sensação de implosão.
então hoje acordei tossindo dor, ou doendo tosse. a garganta em frangalhos depois de dois dias de tosse moderada, alguma febre e dor de cabeça. fui à guerra. cheguei no mãe de deus center antes das 8h30. peguei senha pra atendimento clínico geral. clínico geral me mandou pro otorrino. dormi na sala de espera. acordei bem na hora do médico abrir a porta e dizer "vinícius?". diagnóstico: rinite. receita: zyplo e injeção de diprospan, que eu tinha que tomar no térreo, no MDC. desci. mais uma senha. a atendente me informa que eu preciso comprar a injeção. fui na farmácia, comprei o diprospan, zyplo não tinha. MDC de novo, mais uma senha. mais um tempão esperando passar 2 números até eu ser atendido, viva o iPod shuffle, o velho.
quando eu vi, já eram 11h da manhã. a injeção em si levou 2 segundos, e então fui em outra farmácia comprar o zyplo. cumpri com louvor tudo o que eu tinha pra fazer. eis uma manhã produtiva. ¬¬
***
diálogo absolutamente imbecil entre eu e uma senhora no elevador do MDC, às 9 da manhã. ela, ameaçando apertar no "P": - a portaria é o térreo, né? - sim, é o que dá direto pra rua. - não. eu não quero a rua. eu quero o térreo.
baita foto da magda koenigkan no correio do povo hoje. não, não tenho como escanear. sim, eu poderia bater uma foto e postar ela aqui. mas e a fadiga, como fica? tou doente, porra!
enfim. se puder, procure a foto. e depois responda qual seria e legenda correta: a) Magda Koenigkan em marchinha de Carnaval em recente Enterro dos Ossos.* b) Magda Koenigkan treina para campeonato de air drums. c) Magda Koenigkan contratada como nova garota propaganda da Brahma na campanha que marca a volta do clássico slogan "A número 1". d) Yeda com o crusius na reta: "Cala a boca, Magda". c) outra: _________________________________________
* true evil black-almost-blue humour. foi mal, mas eu tou doente, porra!
e tem aqueles dias que o cara acorda com um aspecto capilar que parece ameaçar uma careca, sacaneando com falsas entradas. hoje foi um deles.
mas aí é só tomar um banho que já era. serei, mesmo, apenas um grisalho.
***
esses dias eu tava dando uma navegada pelo orkut, e me deparei com um amigo meu que, historicamente, sempre foi um ano mais novo que eu, exceto nos 2 meses que separam os nossos aniversários - o dele antes do meu. e foi com algum pavor que eu descobri que ele fez 26 esse ano: pra mim, ele sempre teve 22. EU, que sempre tive no máximo 23, faço 27 virando a esquina.
e de repente juntei os fatos: todos nós, da gurizada de rio grande, já estamos formados. até mesmo aqueles que tinham cursos de 5 anos. um já tem uma especialização, outro já tem mestrado e tá indo fazer doutorado na frança daqui a 15 dias. dois foram brincar de casinha: um em caxias, outro em kill devil hills, onde foi para trabalhar. um outro foi pro rio pra trabalhar e confirmar que, como a gente já sabia, seria o primeiro de nós a ficar rico. e ainda tem aquele que já fez 31. é isso. o churrasco desse fim de semana vai ter só 3 dos 7 caras principais. de janeiro pra cá, 4 foram ou estão indo embora. em rio grande mesmo só sobrou 1, e só porque resolveu fazer outra faculdade.
menos mal, na verdade, que sejam 27. tempos atrás eu respondi que esse ano fazia 28. masé uma grande viagem pensar na inevitável chegada dos 30. aos 30 meu pai se tornou pai - meu pai. e durante toda a minha vida esse sempre pareceu um marco definitivo. os 30. "aos 30 os homens são pais. 30 é a idade ideal para ser pai". hoje os 30 tão logo ali, e eu não me vejo sendo pai de ninguém.
fim de semana geriátrico no litoral norte gaúcho.
e o título desse post vem basicamente do fato que eu sempre quis usar esse verso do nei lisboa em algum texto aqui. eu visito estrelas, lendas, poesias procurando um verso que dissesse tudo a verdade da galáxia se algum dia o sol vai derreter
mas aí ouvi ela e lembrei que ela também diz que barões, fragatas, plutônios, neurônios explosivos não impedirão que o ciclo evolutivo do planeta cumpra o seu dever mas dando no que der já sei que um dia vou morrer
já fui entrevistado algumas vezes na minha vida. não lembro de nenhuma situação que fosse algo absolutamente relevante. tipo: eu fui entrevistado duas vezes já pelo meu próprio pai, no metamorfose, que é um programa da Rádio Universidade da FURG com (já) 20 anos de existência. o metamorfose é um programa sobre música, portanto era disso que eu ia lá falar. acho que a primeira vez meu pai aproveitou uma lacuna na programação e me levou simplesmente para falar do meu gosto musical pessoal, fazer uma seleção de músicas, etc.
uns anos depois eu voltei lá, mas dessa vez na condição de músico, membro de uma banda. fui lá pra falar da hiléia, de como o meu gosto musical e o dos guris influenciava a banda e tal. rolaram bandas de influência direta para nós e outras que faziam parte do meu gosto musical, mas que inevitavelmente acabavam sendo influências indiretas.
também já fui entrevistado sobre futebol. em 10 de junho de 2001, na saída de grêmio 2 x 2 corinthians da final da copa do brasil, eu fui atacado pelo repórter de uma rádio que eu nem lembro o nome (guaíba, talvez). o cara me perguntou como eu achava que o grêmio ia para o segundo jogo. até hoje eu me divirto como eu, completamente pirado pela "virada" do tricolor, dei uma resposta tão lúcida: - acho que o grêmio vai com toda a moral. afinal o corinthians começou ganhando de 2 a 0 e agora o medo é deles. o grêmio está virando o jogo. aí no final eu estraguei tudo. o cara deu o obrigado dele e eu chamei de volta: - cara, posso mandar um abraço? - claro. manda. - queria mandar um abraço pros meus pais e meu irmão em rio grande e um abraço também pro pessoal da minha banda. HILÉIA METAL PROGRESSIVO NA CABEÇA GURIZADA! o cara me olhou com cara de "ah pára, mongolão": - ah tá. falou.
na verdade, ano passado eu fui entrevistado pela assessoria de imprensa de um dos meus clientes sobre o conceito/criação da campanha de aniversário deles. taí: uma entrevista relevante.
mas fazia um tempinho já que eu não tinha a chance de falar sobre o meu assunto preferido seguindo as perguntas de outra pessoa. ainda mais de uma pessoa que estivesse falando comigo só por isso. e foi o que aconteceu faz algumas semanas. existe uma comunidade no orkut que é a imprensa musical em rio grande. ela foi criada por um velho conhecido meu do mundo musical rio-grandino, o rick, que chegou a ser baterista da hiléia. ele é um cara viciado em divulgação de material musical. editava e-zines, inclusive. a comunidade é, de certa forma, onde ele deu seqüência a esse trabalho.
o rick postou a entrevista na comunidade. rolaram uns comentários que eu jamais esperaria, inclusive. e eu decidi então também postar ela aqui. poucas vezes eu pude falar com tanta franqueza o que eu realmente penso das músicas que eu faço - e sem que o assunto parecesse um grande monólogo. espero que vocês se divirtam lendo tanto quanto eu me diverti fazendo. eu corrigi uma ou outra coisa que ficou torta na edição final do rick, mas é isso aí mesmo. detalhe: foi tudo via MSN.
Imprensinha diz: teste som ok Imprensa Musical em Rio Grande dando continuidade a seu projeto de entrevistas via log de MSN agora contando com o tecladista Vinícius Möller, erradicado aqui em Rio Grande, vivendo há algum tempo em Porto Alegre ele é ex-tecladista da banda de prog metal HILÉIA, atualmente membro da ABSENCE OF... vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: fundador da ABSENCE OF, mais precisamente. Imprensinha diz: [thanks!] a banda HILÉIA que deixou um legado de duas músicas, chamadas The Worst Day Of Your Life e Unleashed, ambas disponíveis no HD Virtual local ! desde o término das atividades com a HILÉIA, Möller, como foi o processo de cicatrização das "feridas" e como você chegou à formação da ABSENCE OF...? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: o primeiro momento foi totalmente gay: eu tinha certeza que eu nunca mais ia ter uma banda naquele feitio e que eu nunca mais ia ver músicas minhas sendo tocadas e incrementadas por outros caras. primeiro, porque eu não conhecia tanta gente em POA na época... segundo, porque me parecia que todo mundo que eu conhecia em POA e que tocava já tinha sua banda. e que mesmo que topassem entrar na nova banda comigo, dificilmente ia se formar um vínculo de amizade tão forte quanto era na HILÉIA. só que eu dei sorte: 3 dos caras que eu chamei tocavam na mesma banda, e quando eu convidei eles, eu comentei que não sabia como íamos lidar com o fato deles já terem outra banda com um som até parecido, mas que a minha idéia não era acabar com o som deles. aí o orontes, o guitarrista, me falou: "nah, mas a EKTAPANG tá indo pros seus finalmentes, mesmo". ele e o chan, baterista, toparam na hora. o daniel, baixista, levou mais um tempo, mas já tava inclinado. mas o principal motivo pra eu montar essa banda foi mesmo o fato de que 3 dias antes da HILÉIA acabar oficialmente, o nome "ABSENCE OF" me veio na telha assim, DO NADA, no meio do trabalho. eu fiquei meio de cara porque achei do caralho, cheio de significados, mas sabia que a HILÉIA nunca ia topar trocar. até nisso eu dei sorte... Imprensinha diz: formado o embrião da ABSENCE OF... como chegaram ao versátil vocalista que vocês possuem e quais são as vantagens de possuir um elemento com tal facilidade de passeio entre graves e agudos? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: o arthur era um velho desconhecido meu. eu já tinha ido ao aniversário dele, já tinha derrubado cerveja nele, ele já tinha me convidado pra fazer uma banda cover de MARILLION mas um jamais tinha visto o outro cantar ou tocar. eu declinei o MARILLION por falta de tempo e de um teclado mais poderoso. quando decidi formar a AO, eu tinha tudo isso de novo. e chamei ele pra conversar. ele topou na hora. eu considero o arthur um ponto crucial pro início da banda, mesmo que ele tenha sido o penúltimo a dizer "entrei". eu tava tentando evitar a todo custo colocar um "regular metal singer" na banda, que achasse que andré matos (ex-angra) era tudo e só quisesse cantar nos agudos. eu queria que a AO tivesse um vocal HUMANO. um cara que tem o fish, do MARILLION, e o peter gabriel como 2 dos seus principais ídolos certamente ia cair como uma luva no que eu queria. e o arthur ainda curtia horrores PAIN OF SALVATION, PORCUPINE TREE, entre outras. e escrevia letras e tal. no primeiro ensaio eu fiquei apavorado com quantos acertos eu tinha no line-up da banda. ele e todos os outros. Imprensinha diz: indiscutivelmente outra das características que chama a atenção na música da ABSENCE OF... é o ecletismo, além da certeza de que você não está ouvindo nada com uma suja intenção de meramente copiar algo já anteriormente composto. queria que tu nos contasse como é que rola a composição na ABSENCE OF... tanto em termos de som, quanto em termos de letras? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: teve uma vez em que eu tinha a clara sensação de que uma das nossas músicas tava ficando completamente aleatória e sem sentido. aí eu caí na besteira de dizer "tá ruim". os caras ficaram muito putos MESMO comigo. praticamente ofendidos. mas foi a única vez. na real, depende. depende inclusive de quem tá propondo o novo tema ou música. eu, por exemplo, prefiro mil vezes bolar a música em função da letra. vejo grandes ídolos meus, como o DREAM THEATER, que cada vez mais criam letra em cima de música e os CDs andam sendo uma bosta. acho que a música só tem sentido se casar com a emoção que a letra transmite. em compensação, normalmente a gurizada preza mais pela espontaneidade da música. nesses casos, a gente começa bolando coisas no estúdio, juntando e adaptando idéias e normalmente quem faz a letra é o arthur, apesar de também já ter acontecido de eu ter casado letras minhas em músicas dos outros que já tavam praticamente prontas (caso de Blank). então, às vezes a gente tem músicas sendo trabalhadas no estúdio e outras que um ou dois de nós estão desenvolvendo em casa. nesse segundo caso, normalmente a idéia do autor tende a ser respeitada e priorizada. mas a gente costuma ser bastante tolerante com sugestões surgidas na hora por outros integrantes. as letras, especificamente, são quase todas minhas e do arthur, sem nenhum tipo de hierarquia nisso. aliás, sempre que possível, a gente escreve em parceria. um manda pro outro e diz pra escrever uma estrofe que falte, seja isso porque não conseguiu escrever direito ou simplesmente porque quer que o outro escreva. Imprensinha diz: me corrija se eu estiver errado, mas todos os integrantes da banda são - de alguma forma - produtores também, confere? sabem mexer com programas de edição e contribuem nesse aspecto também para a banda? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: sim. cada um de nós já faz a sua pré-mixagem. o nosso processo se dá da seguinte forma: nós gravamos em casa (exceto batera e vocais) e mandamos pro Valmor Pedretti Jr, que além de compositor da Lado B (produtora de audio) é líder da WORLDENGINE, banda da qual eu fiz parte há alguns anos. o valmor é um grande parceiro nosso e saca pra caralho o nosso som - e talvez qualquer som que seja. ele recebe os arquivos e vai montando pra dar a mixagem final e depois masterizar. mas antes de mandar pra ele, nós mesmo já damos uma cara pros respectivos instrumentos. os teclados que eu mando normalmente já são bem próximos da versão final, salvo alguns efeitos mais mirabolantes. mesmo assim, o valmor sempre tem sinal verde pra dar uma pirada. aliás, a gente espera que ele dê o toque de midas dele. ele manja muito. câmbio. (herauihraeiuhrae) câimbra. Imprensinha diz: Agora referente à frutos e reconhecimento... Sei que a banda trabalha bastante a sua rede de Myspace. É o foco principal de divulgação? Já teve algum espaço em demo section de alguma revista nacional ou estrangeira? Se sim, quais? Se não, por que não? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: o myspace anda bem parado, na verdade, e isso é culpa minha, porque eu cuido dessa parte. a demo section AINDA não rolou, mas já tá praticamente tudo encaminhado pra gente mandar nosso primeiro material, com as 4 primeiras músicas que estão lá no myspace. mas por enquanto, certamente o myspace é o veículo principal de divulgação. Imprensinha diz: câmbio né quiaquia vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: arhuihrea. esqueci. câmbio. Imprensinha diz: As músicas da ABSENCE OF... possuem, como já mencionamos, elementos de diversas naturezas. 80's pop, heavy metal, progressivo, new age. É de uma forma consciente que a banda equaciona estas diversas nuances? Se tu pudesses equacionar o som da ABSENCE OF... usando 5 bandas, quais seriam as que formariam a "fórmula influencional" da banda, em ordem de importância? [se nao ficou clara a pergunta, eu refaço] vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: muito clara. Imprensinha diz: ok, então não refarei a pergunta :] vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: é consciente, mas não costuma ser proposital. já chegamos e dissemos "esse som é um clima tipo aquele", mais pra levar adiante a idéia e todo mundo entrar no clima da música, do que exatamente pra dizer "caras, vamos fazer um som tipo aquele". mas tem horas que não dá pra negar as semelhanças. eu mesmo curto muito ficar pensando em de onde saíram os temas que eu coloquei nas minhas músicas. e a fórmula influencional... vou tentar ser imparcial heheheh: - PINK FLOYD - PORCUPINE TREE - MARILLION - FATES WARNING - DREAM THEATER VELHO (inevitável) Imprensinha diz: certo, e das 4 músicas que o HD Virtual dispõe, da Demo 2007, qual é aquela que tem mais a cara da banda? aquela que os membros da banda concordariam em transformar em "música de trabalho"? e qual delas é a que mais te agrada, pessoalmente? [tri professora da faculdade]: justifique suas escolhas: vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: putz. se só tem 4, já tá faltando uma! 1. CARA DA BANDA: GOODBYE BUNKER HILL pela complexidade em termos de modulações, pela complexidade na estrutura. pelo climão dela, especialmente no meio da música. a banda curte muito essas climas em que as coisas pairam no ar e de repente desaba tudo. e pela performance da banda. tem trechos muito furiosos ali. 2. MÚSICA DE TRABALHO: ONE WARM DAY ou BLANK nossa natural famous pop song sem dúvida é OWD. é um 4/4 bem radiofônico, riff chiclete e tal. mas preserva o clima "suspenso" na parte do meio. também modula legal nos refrões, com uma puta atuação do arthur durante toda a música. e ainda tem os meus backings no final, que eu curto muito! hahaha acho que na verdade BLANK seria uma boa música de trabalho pra vir DEPOIS de OWD. caralho. o msn fechou do nada! voltando. 3. MÖLLER'S FAVE: WHO? comecei a compor ela em 2002, um ano antes da HILÉIA gravar THE WORST DAY. chegamos a tocar ela ao vivo duas vezes em 2005, pouco antes da banda terminar. quando montei a AO, essa foi a primeira música que eu mandei pros caras... e ela tem coisas que eu, compreendendo meu momento nepotista, acho perfeitas, pelo menos segundo os meus critérios de qualidade musical. a relação letra/música, por exemplo... eu escrevi a letra pensando em duas músicas francesas, cada uma de um compositor. eu queria escrever como se fosse o "outro lado" da história. e a música, mesmo tendo começado antes da letra, acabou se moldando a ela. o único defeito é que eu sonhava que ela ia ter no máximo 3 minutos. não deu. ahahaha Imprensinha diz: bem, sendo o Imprensa Musical uma entidade que representa a música de Rio Grande, não há como não tocar no assunto HILÉIA. quais são as melhores memórias que tu carregas desta banda? e qual é a tua versão pro precoce desfecho desta entidade musical riograndina? além disto, quando ouves as músicas da HILÉIA atualmente, fica aquele sentimento de "poderia ter ficado bem melhor"? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: as melhores memórias, disparado, são, nessa seqüência: - o dia que a gente gravou THE WORST DAY no Mandeco, em Pelotas. aquela foi, de fato, a minha primeira música PRONTA. - os shows em RG e em PEL em que as pessoas CANTAVAM o refrão de THE WORST DAY. isso não tem preço. a HILÉIA acabou porque a galera tava toda espalhada pelos cantos e era difícil juntar todos em Rio Grande no mesmo fim de semana. quando tu não tem contato seguido, as falhas de comunicação imperam. e aí implodiu. e sim, poderia ter ficado melhor. THE WORST DAY só me incomoda de verdade em um pequeno detalhe: a caixa da bateria poderia ter ficado um pouco mais gorda, menos tirinho. já UNLEASHED me incomoda muito. a mixagem dela ficou muito aguda, até meio artificial, pra mim. falta peso nela. e sobra reverb. com certeza eu regravaria, porque a música em si eu acho do caralho. Imprensinha diz: ela é realmente bem a frente do seu tempo. especialmente em termos de Rio Grande... como sabes, o público de rock e metal aqui de Rio Grande ainda é bem preso a pré-conceitos e não tem o costume de ampliar muito os horizontes musicais e intelectuais. Até que ponto tu achas que isso dificulta a penetração do som da ABSENCE OF... aqui por estes lados? Afinal, há um pesado estigma contra qualquer coisa que receba a alcunha "progressivo" estampado na mesma. É um estilo tido como retrógrado, auto-indulgente e maçante. Em defesa do seu campo de atuação artística, o que tu poderias dizer para convencer o público de Rio Grande que "não é bem assim"? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: bom... a dificuldade pra AO começa pelo fato de que o nosso progressivo, justamente, não tá preso ao prog tido como O PROG. por exemplo: Yes não é uma das influências que eu citei ali na lista das 5 bandas. e realmente a gente tá muito pouco preocupado em demonstrar o quanto a gente toca. na verdade, eu considero que se a gente resolvesse fazer um som tipicamente DREAM THEATER, cheio de técnica pra todos os lados, a gente ia falhar. nenhum de nós é tecnicamente virtuoso na banda. e acho que isso explica bastante a presença de PINK FLOYD, MARILLION e PORCUPINE TREE no top 3 das influências que eu citei. são (ou eram) bandas muito mais preocupadas com a idéia do que com a forma. até mesmo dentro da banda já tivemos discussões sobre prog moderno x prog setentista. nas duas épocas houve bandas que queriam tocar todas as notas do mundo em uma música e bandas que queriam simplesmente desenvolver um tema musical ao longo de uma música ou de um disco. a gente tende a tentar achar o meio termo. e na minha opinião, as bandas que tentam ser o novo DREAM THEATER acabam quase sempre virando uns clones chatos. atualmente, são essas que me parecem as bandas verdadeiramente retrógradas. já faz 17 anos que o DT lançou o Images and Words. já tá na hora de tirarem o rótulo de "punheta complexa" que o metal progressivo ganhou. o conceito de música progressiva é MUITO maior do que isso. pra fechar esse raciocínio, eu tenho convicção de que a ABSENCE OF tá longe de ser uma banda que faz progressivo pra parecer intelectual ou se achar uma banda difícil. a gente não faz questão nenhuma de ter trechos enfadonhos ou de mostrar que nós temos conhecimentos musicais complexos. no fim das contas, o progressivo periga até ser uma desculpa que a gente usa pra simplesmente fazer as músicas que a gente sente que fazem sentido. seja fazer sentido em relação ao que a gente julga ser o nosso som e fazer sentido em termos do que pode significar pra quem ouve. ano passado eu mandei a faixa “WHO?” pro concurso da comunidade Rock Progressivo no orkut, a famosa ProgVacas: ganhei meu dia quando um cara comentou que a progressão do feeling na música era espetacular. era exatamente o que eu sonhava que algum dia alguém reconhecesse sobre ela. foi pra isso que eu trabalhei nela. música tem muito a ver com sinceridade. Imprensinha diz: eu só tenho mais 3 perguntas oficiais são clichês de revistas de rock e tal eu digo o nome de um artista e vc escreve economicamente [não laconicamente] sobre o mesmo/a deal? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: manda Imprensinha diz: alex lifeson? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: ele sente a música antes de pensar nela. o RUSH seria 50% menos espontâneo sem ele. Imprensinha diz: daniel gildenlöw? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: deus. e se o homem fosse feito à sua imagem e semelhança, a gente ia ser feio pra caralho (mesmo que TODAS as gurias que foram no show do PAIN OF SALVATION em 2005 discordem de mim. se ele quisesse, a gurizada toda voltava solteira pra casa). Imprensinha diz: perfeito mais 4 ae Mike Portnoy vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: difícil resumir... peraí. [longa pausa] ele é o ronaldinho gaúcho. ele tinha tudo pra ser o melhor do mundo por uma década seguida. mas depois que disseram que era o melhor do mundo 2 ou 3 vezes, achou que era isso... nunca mais evoluiu em nada. hoje só quer saber de vender DVD. Imprensinha diz: bem colocado vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: o portnoy tá até hoje estacionado no ano de 2003. Imprensinha diz: não existe DREAM THEATER após Octavarium só existe o corporativismo explícito vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: após o six degrees, na minha opinião. Imprensinha diz: Steven Wilson? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: SW é o oposto necessário e saudável ao Daniel Gildenlöw em termos de letrista e compositor. menos teórico, mais centrado no comportamento das pessoas do que nas teorias e motivos. os dois são os dois adolescentes mais velhos do prog metal atualmente, e enquanto o DG é um adolescente revoltado, o SW é um adolescente irônico e pessimista. mas os dois são ultra perspicazes. Imprensinha diz: é o meu favorito da relação de músicos que estou mandando! mais 2: Richard Wright [R.I.P.]? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: a voz mais enigmática de todos os tempos. quando ele morreu, passei o dia tentando não chorar. não consegui, e até hoje choro pensando que, se não fosse por ele tocar do jeito que ele tocava, eu provavelmente nunca saberia que tem horas que um acorde de 3 notas basta. Imprensinha diz: admiro sua entrega ao escrever sobre ele queria que o texto do teu blog tivesse parado no Imprensa eu li aquele texto e me caiu o queixo vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: é mesmo? não sabia que tu tinha lido. ou não lembrava. Imprensinha diz: aham e Vinícius Möller? vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: bãi. uma mala. não consegue ver um treco errado e deixar errado. se o erro for dele mesmo, então... não aprendeu a fazer as coisas meia-boca e se perdoar por isso: vai ficar se martirizando até a morte. obsessivo por músicas redondas, por músicas que casem com as letras e com letras que digam alguma coisa de verdade. odeia que não entendam o que ele disse. Imprensinha diz: então, pra fechar 5 melhores álbuns para Vinícius Möller [xérox Roadie Crew mode on] vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: PINK FLOYD - The dark side of the moon STING - The soul cages PAIN OF SALVATION - Remedy lane DREAM THEATER - Six degrees of inner turbulence THE POLICE - Synchronicity Imprensinha diz: feito então, Vinícius! manda recado aí para todos os que vão ler essa longa - porém muito saudável e recompensadora entrevista seja no seu blog, seja no Imprensa vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: yeah antes de mais nada, obrigado (se o leitor conseguiu lutar e ler até aqui AHAHAHA). obrigado ao Imprensinha por ter achado que valia a pena bater um papo comigo e REALMENTE me dar a chance de falar essas coisas não em forma de um texto meu, mas sim respondendo a perguntas de outra pessoa (é chato escrever pra si mesmo). e... se eu tivesse um recado útil pra dar, seria pro pessoal apostar em gravações caseiras. uma placa de som e uma mesinha de mixagem às vezes resolvem muita coisa. porra, o que tem de festival de banda cover aqui em POA atualmente é uma vergonha. tenho a CLARA sensação de que as bandas autorais pequenas tão perdendo espaço pra coisas bem menos genuínas. Imprensinha diz: e, como diria aqueles caminhões ou carros de auto-escola na parte traseira. "como estou entrevistando?" vinícius | myspace.com/absenceofbr diz: tchê, achei isso 10. achei genial MESMO.
-- entrevista conduzida por Rk. edições e revisão por Musique. em 17/03/2009
comentário sobre o show anterior, do dia 4, lá em são léo: eu VI, eu ESTAVA LÁ quando o mike portnoy do DREAM THEATER mandou a banda parar a execução de metropolis, no credicard hall, em são paulo, porque o john petrucci e o jordan rudess tavam completamente desencontrados na execução do solo dobrado guita/teclado.
O DREAM THEATER!
portanto, a zombie eaters está perdoada e vacinada. sábado no garagem mataremos a pau, como foi nos ensaios. sem mais.
é muito bonita essa história de hora do planeta. a intenção é linda, mesmo. mas e o resultado? nenhum. no máximo, constrange algumas pessoas que resolverem deixar as luzes ligadas. porque conscientizar, não conscientiza ninguém. vai encher vários de um falso orgulho.
ok. tou sendo meio xiita, talvez puramente do contra. mas lembro que nada nem ninguém até hoje provou sequer a existência de um aquecimento global. meu pai repete isso há uns 3 anos, pelo menos, e hoje na zero hora tem 2 caras falando isso. na verdade, um deles é uma guria, e ela aponta muito bem o fato de que o suposto aquecimento global é ainda uma IMENSA oportunidade de marketing-da-boca-pra-fora pruma grande variedade de empresas. tem um ex-professor meu da pós-graduação que está investigando exatamente esse fenômeno comunicacional. vem polêmica aí.
e fazer apagão geral é muito bonito em países da europa, na austrália, etc. ou seja, onde existe segurança. segunda-feira veremos as manchetes nos jornais: HORA DO APAGÃO GERA PICOS DE VIOLÊNCIA NO PAÍS.
rendam-se. classe A, B, C ou W, no brasil somos todos moradores da mesma favela. deixem o apagão ilusório pra quem pode. e o planeta? eu desejo muito estar errado, mas acho que human way of life não combina com a preservação da terra. por isso, apesar de o fim dos tempos ser um filme exagerado, eu acho muito justo pensar que a própria natureza bolaria meios de se vingar de nós. todo sistema deve ter seus próprios anticorpos.
o mundo se salva quando os homens se matarem de uma vez.
eu poderia argumentar que o fato de em dezembro o faith no more ter saído de ZERO audições no meu last.fm direto pra segundo lugar geral, com (na época) umas 160 audições, foi somente por causa do show de 5/12/08, que me obrigou a escutar as músicas várias vezes seguidas atrás dos mínimos detalhes. mas na verdade eu deveria agradecer ao nelso da re:floyd por ter me indicado como tecladista para o zed. depois, deveria ter agradecer ao zed por ter me levado a sério mesmo depois de eu dizer que não sabia NADA sobre faith no more, exceto a inevitável epic. e finalmente, agradeço a mim próprio por ter topado mesmo sem achar que fosse um grande desafio.
porque de fato não é um grande desafio, ao menos do ponto de vista técnico. tocar faith no more é uma barbada a maior parte do tempo. o tecladista deles era tão comum ao ponto de eu hoje dizer que TENHO uma banda cover de faith no more e NÃO SABER O NOME DO TECLADISTA DA BANDA. me refiro ao tecladista do FNM, claro. o meu nome eu sei. o desafio está mais em acertar alguns timbres de efeitos, como os do meio de a small victory. eu refiz todos e ficou muito igual, vide o denis que, no primeiro ensaio junto, não conseguia passar pelo bridge da música sem se matar rindo.
essa história toda também é mais uma prova de que quem conhece as mais ouvidas não conhece a banda. epic é afudê, mas a ironia de midlife crisis é bem mais. a de land of sunshine, também. aliás, eu diria que ironia é o tom da maioria das letras, e eu tenho que reconhecer que o maluco do mike patton, principalmente depois da fase "voz de pato" (sem intenção de trocadilho) do the real thing, escreve coisas que, se não são obras primas, são pelo menos percepções bem pinçadas do que a gente vê por aí. vale a pena ler a letra de everything's ruined pensando, por exemplo, na crise hipotecária dos EUA e atual crise mundial. dá até pra ver os donos dos bancos americanos e os idealizadores do sistema econômico vigente cantando o final da música: a letra catastrófica diz "now everything's ruined, yeah yeah" e o instrumental segue num clima mezzo feliz mezzo glamouroso. é a materialização musical de um belíssimo sorriso amarelo.
a ironia segue na letra de the gentle art of making enemies. o pré-refrão dela sozinho é de se mijar rindo, ainda por cima com a atuação do patton. melhor dizendo, a atuação do patton é sempre espetacular. esse é o azar do zed: ele tem que coverizar um cara completamente insano e insanamente completo. nunca ouvi um vocal tão completo quanto o mike. grave, médio, agudo, gritando, urrando, suave, na manha... o cara faz qualquer coisa, e eu não tou exagerando.
e tem ainda ricochet, que me lembra muito vicarious, do tool, graças a esse verso: it's always funny until someone gets hurt and then it's just hilarious! ou então tem o baixo sexy de evidence, que depois eu descobri que era uma música que eu gostava, lá por volta de 95. nunca esqueci do clipe da banda no aquário. ou então last cup of sorrow! ou então...
também é legal descobrir a origem de algumas coisas que eu conhecia há muito tempo. sempre ouvi que faith no more era uma das maiores influências do daniel gildenlöw, do pain of salvation. é óbvio que, musicalmente, o pain of salvation vai MUITO além do faith no more, não tem comparação. mas as influências de fato tão na cara. achei até uma linha vocal de ashes em last cup of sorrow, na cara dura. o daniel realmente pegou várias técnicas e estilos vocais do patton.
enfim. o show tá aí. se alguém puder comparecer, favor fazê-lo. e eu, na próxima vez que eu tiver que tirar 16 músicas prum setlist de banda cover, vou lembrar de desabilitar o scrobbling do last.fm. as estatísticas mentem!
grande discussão filosófica pós almoço, via msn, com meu caro e quase-doutor amigo arthur: - com quem os emos acasalam? - emas. - pelo menos acasalam com o sexo certo. - o problema é: como identificar uma ema? a franja, a voz e o jeito são iguais. - e a maquiagem também.
em janeiro e fevereiro o meu problema para postar aqui foi o volume de trabalho: eu tive muito pouco. quanto menos trabalho eu tenho, mais eu fico atucanado com o pouco que ele é, e mais tempo total eu perco nele. com tempo demais sobrando, eu ficava muito preocupado em não perder tempo com nada. preocupado, na verdade, em não perder tempo com coisas que eu gostaria de fazer em detrimento das que eu tinha que fazer, eu acabo perdendo o mesmo tempo com coisas que eu sequer pensei em fazer, mas apareceram na minha frente aleatoriamente.
exemplo prático: eu poderia estar postando um texto legal, mas acabei perdendo tempo escrevendo isso.
mesmo assim, isso tudo me parece uma boa idéia de texto pra este blog, e eu gostaria de postar. mas existe tanto tempo e tantas idéias a serem perdidos entre eu digitar a primeira letra e anotar o último ponto que é muito provável que a qualquer momento surja outra coisa tão inútil quanto, porém muito mais imprevista e irresistível, que tome o lugar do post e faça com que eu atrase ele em vários dias. ou, até, o suficiente pra esquecer dele. e aí acaba que tu nunca leu nada disso, porque eu nunca escrevi.
hoje em dia é difícil NÃO achar um texto que comece com "a internet e a globalização cada vez mais nos dão a sensação de que o mundo gira mais rápido". não necessariamente nessas palavras, mas sempre com esse sentido. eu mesmo já devo ter escrito isso pelo menos umas 10 vezes.
esse negócio de escrever sobre as músicas dos meus verões me fez parar pra pensar se eu não tinha mesmo nenhum "winter song". e eu tenho, mas a questão não é bem se a música existe ou não. a questão é que eu raramente tenho saudade do inverno. nunca parei nostalgicamente pra dizer: - aquele inverno de 2003 foi do caralho...
acho que sei o motivo. o verão é uma coisa preciosa. a diferença é que, depois de velho, o verão é nos fins de semana ou a partir das 19h dos dias úteis, e só durante uns 3 meses. o inverno não. o inverno é 24 horas por dia, 7 dias por semana, 9 meses por ano - não tem um natal pra dizer quando começa nem um carnaval pra dizer quando termina. a internet e a globalização cada vez mais nos dão a sensação de que o mundo gira mais rápido. por exemplo: já estamos no meio do frio, mas parece que ainda ontem era verão em porto alegre.
opa, mas peraí, porra... hoje é dia 17 de março! AINDA É VERÃO EM PORTO ALEGRE!
tou escutando armor and sword do rush pela décima vez hoje. é a quarta seguida. eu só sei disse porque o last.fm registrou. eu já tinha perdido a conta. talvez até eu tenha escutado bem mais vezes que isso, porque eu volto no início da música antes dela terminar, e aí o site não registra a música.
foi a minha música do verão. nas minhas idas ao cassino, indo pra praia com meu irmão ou saindo de noite, em algum momento resolvi dar mais uma chance pro snakes and arrows, que não me chamou atenção quando saiu. praticamente não consegui mais passar dessa faixa. o refrão dela tem aquelas harmonias gordas do alex lifeson e uma melodia simples: simplesmente não poderia ser outra. a letra é boa, também. o peart já fez coisas melhores sobre circunstâncias da vida, traumas e esperança, mas "no one gets to their heave without a fight" encaixa tão bem no refrão que não dá pra falar mal.
mas enfim... é a música do verão de 2009. sempre tem a música do verão, ou até o disco do verão. em algum momento acontece essa mágica, em que uma melodia fica como emblemática de todo um verão. dá pra fazer uma lista:
198x, scorpions - still loving you: não sei que ano foi isso, mas eu tinha uns 4 ou 5 anos e era fanático por scorpions.
1988, sting - driven to tears (versão ao vivo do bring on the night).
1989, várias do the police (e do rod stewart, porque era o outro lado da fita k7).
1991, sting - all this time: foi a música escolhida pro garota verão.
1993, tears for fears - break it down again: passava 60 vezes por dia na MTV inglesa. e merecia.
1994, uma caralhada: peter gabriel - red rain / crash test dummies - mmm mmm mmm e god shuffled his feet / marillion - cover my eyes: cada uma numa circunstância completamente diferente. valem um post.
1995, pink floyd - pulse inteiro / tears for fears - raoul and the kings of spain.
1997, fish - incommunicado / rush - the big money: no carro do meu tio, na casa da praia no litoral norte.
2000, liquid tension experiment / acid rain e biaxident: o mais nerd de todos os meus verões. eu tinha levado um pé na bunda em novembro e metade do verão ia ser na cidade. minha técnica de piano deu um boom.
2001, symphony x - evolution (the grand design) / encores, legends and paradox (tributo ao ELP) - karn evil 9, first impression: o SX eu garanto que foi a música do verão pra mim e pra todo mundo na hiléia.
2002, dream theater - the glass prison, blind faith, solitary shell: não por menos eu acho blind faith a melhor música do DT.
2003, hiléia - the worst day of your life: foi a única vez que eu coloquei uma música alta no meu carro na praia do cassino. ninguém ia saber o que era aquilo, mas a gente tinha recém gravado a música, e era nossa.
2004, pain of salvation - undertow: deus canta.
2005, pain of salvation - iter impius, diffidentia, vocari dei...: deus continua cantando. na real, esse verão foi do BE tocando inteiro em alto e bom som na casa do cassino.
pros anos que faltaram não me veio nada. talvez quando eu escutar a música ela me leve de volta pras suas respectivas lembrórias. enquanto isso, fico aqui voltando pros fins de semana de sol do cassino nesse já distante verão de 2009. e matutando por que será que eu nunca tenho uma "música do inverno".
o flamengo vai jogar em campo grande hoje pela copa do brasil, contra o ivinhema. a torcida local (a do ivinhema, que fique claro. você pode ser funcionário da globo, e a globo acha que o brasil inteiro torce pro flamengo) está espremida num dos cantos dos estádios, uma grande minoria.
graças à tv, é cada vez mais assim: quanto mais fraco o futebol da região, mais cresce o contingente de flamenguistas e corinthianos. é só o que eles conhecem do circo. no nordeste, então, é uma piada. tanto é que a torcida do vitória teve a genialidade de botar a faixa "vergonha do nordeste" no jogo contra o flamengo.
pois taí a salvação do nordeste. se governo, cbf e flamengo fossem espertos, marcariam uma série de amistosos do flamengo e do corinthians com times locais, talvez até mini-torneios. levantariam uma grana preta em qualquer cidade que passassem, mesmo a ingressos com preços acessíveis. fora os patrocinadores, porque obviamente ia ter alto televisionamento: qualquer cidade que fosse o jogo, todo o nordeste e o centro-oeste, talvez até santa catarina, iam ficar vidrados nesses jogos.
e seriam as vergonhas de suas respectivas regiões. heiuahae
sei que eu tenho faltado com o meu dever cívico de postar no blog. eu continuo escrevendo posts mentais, mas escrever eles de fato envolve uma árdua negociação com a fadiga, e meus poderes de negociação, com esse calor todo, andam ridículos.
em todo caso, isso eu não podia deixar passar. obrigado ao lourenço e ao gustavo por ter lembrado disso em meio às cervezas de ontem.