sexta-feira, março 13, 2009

summer song.

tou escutando armor and sword do rush pela décima vez hoje. é a quarta seguida. eu só sei disse porque o last.fm registrou. eu já tinha perdido a conta. talvez até eu tenha escutado bem mais vezes que isso, porque eu volto no início da música antes dela terminar, e aí o site não registra a música.

foi a minha música do verão. nas minhas idas ao cassino, indo pra praia com meu irmão ou saindo de noite, em algum momento resolvi dar mais uma chance pro snakes and arrows, que não me chamou atenção quando saiu. praticamente não consegui mais passar dessa faixa. o refrão dela tem aquelas harmonias gordas do alex lifeson e uma melodia simples: simplesmente não poderia ser outra. a letra é boa, também. o peart já fez coisas melhores sobre circunstâncias da vida, traumas e esperança, mas "no one gets to their heave without a fight" encaixa tão bem no refrão que não dá pra falar mal.

mas enfim... é a música do verão de 2009. sempre tem a música do verão, ou até o disco do verão. em algum momento acontece essa mágica, em que uma melodia fica como emblemática de todo um verão. dá pra fazer uma lista:

198x, scorpions - still loving you: não sei que ano foi isso, mas eu tinha uns 4 ou 5 anos e era fanático por scorpions.

1988, sting - driven to tears (versão ao vivo do bring on the night).

1989, várias do the police (e do rod stewart, porque era o outro lado da fita k7).

1991, sting - all this time: foi a música escolhida pro garota verão.

1993, tears for fears - break it down again: passava 60 vezes por dia na MTV inglesa. e merecia.

1994, uma caralhada: peter gabriel - red rain / crash test dummies - mmm mmm mmm e god shuffled his feet / marillion - cover my eyes: cada uma numa circunstância completamente diferente. valem um post.

1995, pink floyd - pulse inteiro / tears for fears - raoul and the kings of spain.

1997, fish - incommunicado / rush - the big money: no carro do meu tio, na casa da praia no litoral norte.

2000, liquid tension experiment / acid rain e biaxident: o mais nerd de todos os meus verões. eu tinha levado um pé na bunda em novembro e metade do verão ia ser na cidade. minha técnica de piano deu um boom.

2001, symphony x - evolution (the grand design) / encores, legends and paradox (tributo ao ELP) - karn evil 9, first impression: o SX eu garanto que foi a música do verão pra mim e pra todo mundo na hiléia.

2002, dream theater - the glass prison, blind faith, solitary shell: não por menos eu acho blind faith a melhor música do DT.

2003, hiléia - the worst day of your life: foi a única vez que eu coloquei uma música alta no meu carro na praia do cassino. ninguém ia saber o que era aquilo, mas a gente tinha recém gravado a música, e era nossa.

2004, pain of salvation - undertow: deus canta.

2005, pain of salvation - iter impius, diffidentia, vocari dei...: deus continua cantando. na real, esse verão foi do BE tocando inteiro em alto e bom som na casa do cassino.

pros anos que faltaram não me veio nada. talvez quando eu escutar a música ela me leve de volta pras suas respectivas lembrórias.
enquanto isso, fico aqui voltando pros fins de semana de sol do cassino nesse já distante verão de 2009. e matutando por que será que eu nunca tenho uma "música do inverno".

quarta-feira, março 04, 2009

a solução de todos os problemas.

o flamengo vai jogar em campo grande hoje pela copa do brasil, contra o ivinhema. a torcida local (a do ivinhema, que fique claro. você pode ser funcionário da globo, e a globo acha que o brasil inteiro torce pro flamengo) está espremida num dos cantos dos estádios, uma grande minoria.

graças à tv, é cada vez mais assim: quanto mais fraco o futebol da região, mais cresce o contingente de flamenguistas e corinthianos. é só o que eles conhecem do circo. no nordeste, então, é uma piada. tanto é que a torcida do vitória teve a genialidade de botar a faixa "vergonha do nordeste" no jogo contra o flamengo.

pois taí a salvação do nordeste. se governo, cbf e flamengo fossem espertos, marcariam uma série de amistosos do flamengo e do corinthians com times locais, talvez até mini-torneios. levantariam uma grana preta em qualquer cidade que passassem, mesmo a ingressos com preços acessíveis. fora os patrocinadores, porque obviamente ia ter alto televisionamento: qualquer cidade que fosse o jogo, todo o nordeste e o centro-oeste, talvez até santa catarina, iam ficar vidrados nesses jogos.

e seriam as vergonhas de suas respectivas regiões. heiuahae

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

obama's elf.

sei que eu tenho faltado com o meu dever cívico de postar no blog. eu continuo escrevendo posts mentais, mas escrever eles de fato envolve uma árdua negociação com a fadiga, e meus poderes de negociação, com esse calor todo, andam ridículos.

em todo caso, isso eu não podia deixar passar. obrigado ao lourenço e ao gustavo por ter lembrado disso em meio às cervezas de ontem.

terça-feira, janeiro 06, 2009

improviso - uma rapidinha sem cuspe.

joão tinha um baixo de 9 cordas. um dia ele chegou em casa e, sem achar o instrumento, gritou:
- MÃÃÃÃE! cadê meu baixo?
sua mãe parou de passar a camisa e pensou:
- droga. perdi minha tábua de passar de novo.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

ZOMBIE EATERS.

fugindo COMPLETAMENTE daquilo que eu costumo fazer musicalmente, sexta 5/12 estarei no Manara tocando com um projeto Faith No More cover. justiça seja feita: que bom que eu aceitei o convite do zed pra fazer o show. é aquela velha história: se tu escuta só o que dá na rádio, tu não conhece a banda. ou tu não associa a música dela ao nome dela. eu conhecia midlife crisis, por exemplo, mas não fazia idéia de quem era a música. pior - nunca lembrava dela. E É UM SOM DO CARALHO!

enfim. flyer abaixo. é só clicar e ver qual é que é. todos lá.

piada d' port'guêish.

não baseada em, mas sim os próprios FATOS reais. vulgo piada pronta.

1.
Após uma boa noite de sono... Feliz Natal diz (12:30):
oi vinicius, eu sou o ricardo caso vc n se lembre eu sou um dos portugueses que passou pela Agencia Junior em 2004... estou aqui com uma dificuldade de tradução de brasileiro/portugues será que vc me podia dar uma ajuda???
vinícius | www.myspace.com/absenceofbr diz (12:30):
claro que lembro, cara!
e aí? tudo tranquilo?
Após uma boa noite de sono... Feliz Natal diz (12:30):
o que significa ..."tou ficando atoladinha----2'
vinícius | www.myspace.com/absenceofbr diz (12:30):
HAEUHAEIUHEAIUHIUEAHEAHI

2.
Após uma boa noite de sono... Feliz Natal diz (12:47):
e como vai a carreira de musica
vinícius | www.myspace.com/absenceofbr diz (12:58):
sempre indo
tou com a minha banda nova, gravando músicas e jogando no myspace
www.myspace.com/absenceofbr
Após uma boa noite de sono... Feliz Natal diz (13:06):
tou ouvindo
tu te lembra de eu falar de uma banda portuguesa de metal mt boa?
http://www.myspace.com/absenceofbr
vinícius | www.myspace.com/absenceofbr diz (13:17):
talvez
mas esse link aí que tu me deu é o meu
Após uma boa noite de sono... Feliz Natal diz (13:17):
http://www.myspace.com/moonspell
vinícius | www.myspace.com/absenceofbr diz (13:17):
ah
lembro sim
tem um amigo meu que gosta muito dessa banda
Após uma boa noite de sono... Feliz Natal diz (13:17):
para de pensar q o portugues é burro
vinícius | www.myspace.com/absenceofbr diz (13:18):
AHAHAHAHA
Após uma boa noite de sono... Feliz Natal diz (13:18):
foi um pequeno erro
vinícius | www.myspace.com/absenceofbr diz (14:08):
hehehehe
acontece

quinta-feira, novembro 20, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008

TOMA!!! TOMA, MERDA!!!

TERMINEI O MONSTRO. 91 PÁGINAS DE PÓS-GRADUAÇÃO.

sou um novo homem. quer dizer... amanhã serei um novo homem. no momento, sou um cara que deitou às 2:10 da madruga com sono e sem solução pra algumas questões do plano de comunicação final do curso. 10 minutos depois eu balancei pra dentro dum sonho mas não caí. fui trazido de volta por uma cachorrada filha-da-puta que se botou a latir aqui na volta de casa. mas por algum motivo completamente doido, foi nesse exato momento que a minha cabeça maquinou as minhas dúvidas e de repente tudo se resolveu.

2:30 eu tava de novo no computador, agora produzindo de verdade. desde então não olhei mais pra minha cama, porque além de terminar o trabalho eu tenho que imprimir 3 vias, cheias de gráficos e imagens e peças que eu criei pra rechear o trabalho e compensar o fato de que eu subestimei ele em maio, na primeira vez.

não faço idéia que nota vão me dar, mas modéstia à parte, ficou do caralho. e o animal do cliente, que me boicotou sistematicamente com informações que ele sabia que eu precisava na reta final, não vai pôr em prática.

enfim. agora eu volto a ter TEMPO. tempo pra música, pro esporte, pros pássaros, pros filmes, pro fim-de-semana, pra mariana, pro sono, pro sexo, pro sábado, pro domingo, pro grêmio, pra absence of, prum tal dum show que eu vou fazer com uma banda cover de faith no more... pro ócio.

e será que isso significa que eu vou postar mais? claro que não. a desorganização sempre toma conta de todo o espaço que ela encontra disponível. na real, eu vou dar um jeito de fuder com todo o meu tempo de novo. e aí... TOMA, MERDA!!! TOMA!!!

quarta-feira, novembro 05, 2008

coisas do demo.

era sexta. minhas primas cantavam uma música, provavelmente algo de high school musical. "...saber que o tempo já passou...", "...mas que ainda há tempo para nós...", coisas do tipo. ou talvez seja a última música da kelly key, "...você é o cara...", "...a pessoa mais linda do mundo...". as duas sabem a música de cor.

só que uma tem recém-completos 9 anos. e a outra tem 5.

não tá certo. ISSO NÃO PODE TAR CERTO!

segunda-feira, novembro 03, 2008

nomenclausura

todo mundo lembra meu nome
eu não lembro o de ninguém

tu, no name
me nomeias
e eu, no meio
minado
meneio
...que merda.

essa é a questão
do momento:
o dito como não-dito
sempre o maldito
esquecimento

vai, então
me diz de novo
teu nome
em vão.

---
isso tava nos meus arquivos há muito tempo... mais uma daquelas coisas que eu escrevo, aí na hora eu não gosto e arquivo. meses ou anos depois eu leio, acho perfeito e não entendo por que raios eu arquivei.

e muito oportuno, já que hoje eu fui me despedir do marcos luconi e chamei ele de luís crispino. foda.

terça-feira, outubro 28, 2008

esboço de anúncio para a playboy da cláudia ohana.

(partindo da suposição de que essa vez ela vem com tudo raspado, como é possível imaginar a partir desta foto).

foto 1, texto "Antes." (ou "1985.")

foto 2, texto "Depois." (ou "2008.")
texto assinatura: Cláudia Ohana na Playboy de novembro. O aquecimento é global.
assina logotipo.

obs1: diretor de arte, favor eliminar ou amenizar ou aspecto "estrias" da foto. ou achar foto de deserto liso.
obs2: é página simples ou é página dupla?

quinta-feira, outubro 23, 2008

o mercado global.

quem trabalha com comunicação sente isso direto: quando bate a crise no mundo, não interessa se teu cliente é pequeno ou grande, se ele trabalha direto com negociações em dólar ou não. o cobertor é curto e furado. quando puxarem, quem vai ser destapado É TU.

uma crise dessas é a prova de que qualquer planejamento é utópico. quando eu escrevi a minha análise de macro-ambiente econômico pro meu plano de conclusão da pós-graduação, em maio, o resumo da ópera era:
VÂMO FUNDO! até o final do ano o dólar bate nos R$ 1,50, o crédito não vai parar de aumentar pro consumidor brasileiro e a putada tá metendo o pé na jaca!

no dia 3 junho, eu lembro muito bem que a coisa começou a mudar. as ações da petrobras, por exemplo, despencaram legal, do nada. aliás, do nada não: provavelmente porque neste dia eu coloquei uma certa grana em fundos de investimento. e agora eu tou reescrevendo a parte de análise econômica. claro, como preza a boa conduta do vinícius (resumida na frase da saudosa vó do samuca, que eu nunca conheci: "quem guarda, tem") eu não joguei nada fora. eu apenas troquei todo o texto pelo condicional e iniciei um novo parágrafo, no final, que começa com O cenário financeiro, entretanto, sofreu em poucos meses uma reviravolta gigantesca...

em paralelo a isso, eu sempre imagino as divisões estratégicas das empresas no momento em que estourou a bolha do crédito imobiliário nos EUA:
- senhores, precisamos nos ajustar à crise financeira mundial.
- já estamos ajustados, senhor!
- já?
- sim! o mundo está em crise, e nós também, senhor.

terça-feira, outubro 21, 2008

estimativas

segundo o matemático tristão garcia, são grandes as chances de que o meu próximo post seja... na próxima semana.

segunda-feira, outubro 13, 2008

matando rick wright.

Última parte do Semestre Rick Wright, mas ninguém garante.

é complicado matar quem já morreu, mas vamos lá. eu era pra ter feito um show com a re:floyd, banda cover de... ahm... pink floyd no dia 13 de setembro, no garagem hermética. o tecladista dos caras tinha show com uma outra banda, e eu já tava me preparando pra tirar umas 6 ou 7 músicas quando o nelso, guitarrista/líder do esquema, me disse que o outro show do tecladista tinha sido cancelado.

meio frustrante. eu mesmo já tive a minha pink floyd cover em rio grande. eu me jogaria em qualquer oportunidade que me oferecessem de tocar pink floyd numa banda j
á pronta e ensaiada, em que o mala perfeccionista aqui pudesse simplesmente chegar, tocar, arrumar o que tem pra arrumar (sempre tem) e depois só curtir. eles fizeram o show. eu não toquei. e dois dias depois morreu o rick wright.

agora sim: completamente frustrante.

deixei uma mensagem offline no msn do nelso: "QUERO TOCAR NO PRIMEIRO SHOW QUE APARECER". pedi, levei. fui atendido em questão de 15 minutos. ele me ligou me perguntando se eu topava fazer um show em
imbé, no joe's, no dia 27 de setembro. bastava eu dizer "sim" e a vaga era minha, o outro tecladista que se danasse se cancelasse o show da outra banda dele. topei na hora, é claro, e aí o nelso começou a passar o set list de apenas... 22 músicas, incluindo coisas que eu nunca tinha tirado, como DOGS, a versão original de SHINE ON e, pra finalizar, ECHOES, que nem sequer gosto muito. confirmei que eu tava dentro, mas aí eu já tava apavorado: era quinta-feira 18/09, eu só ia poder começar a trabalhar nas músicas na segunda-feira e eu não tinha praticamente nenhum timbre.

a sorte me abraçou e me deu uma pauta tranqüila na player (a agência "na qual" eu trabalho) durante aquela semana. eu trabalho em casa, logo ninguém ia estranhar que eu estivesse tocando teclado no meio do escritório. foi algo alucinante: eu tinha que timbrar 80% do dark side of the moon. dogs sozinha me tomou 16 horas ininterruptas de trabalho. learning to fly, uma tarde. comfortably numb seria uma barbada se fosse a versão do pulse, mas a original complica.


no total, calculo que foram entre 50 e 60 horas SÓ de edição de timbres no korg. felizmente o tokai tx-5 evitou que eu tivesse que programar os timbres de hammond, também. e o show foi excelente: 2 horas e meia de pink floyd sem parar, com uma galera pequena, mas que tava curtindo pra caralho. o palco era bastante espaçoso e, coincidentemente, lembrava o palco do PULSE. tinha até um laser. e, pela primeira vez na minha vida, eu fiz solo de cachorro e de vento, sem falar nos efeitos de avião e de helicóptero.

e eu tive que aprender a tocar as músicas nas versões originais. sempre tirei tudo pelo PUL
SE, e descobri que existe uma boa diferença entre os arranjos dos discos e os arranjos de 94. confirmei a impressão que eu sempre tive de que no dvd o rick é um músico preguiçoso. os arranjos mais complicados são quase todos feitos pelo jon carin, enquanto o rick faz acordes simples e distribui sorrisos.

num post passado eu disse que tudo se baseava em tríades no trabalho dele. pois bem, me enganei. diferente dos seus últimos registros ao vivo, o wright da década de 70 era uma mente em ebulição completa. é provável que musicalmente ele tenha sido o melhor dos floyd. em shine on e dogs, eu descobri que ele subverte escalas, aplicando umas harmonias tortas. no pulse, ele simplifica shine on, cortando uns acordes diminutos que eram espetaculares.

juntando com o que nick mason diz no inside out, que em 94 o jon carin foi fundamental pra recuperar a auto-estima musical do wright, eu fiquei me perguntando: será que o wright já não tava musicalmente morto desde o the wall, ou até antes? é difícil de conceber que o mesmo cara que criou duas das peças fundamentais (the great gig in the sky e us and them) do disco fundamental dos anos 70 tenha caído tanto por nada. me parece que o roger waters matou um pouco dele já naquela época.

então eu cheguei no ensaio da absence of hoje (domingo) à noite com meus dois teclados, pra ver co
mo eu me saía com eles fora do pink floyd. o korg ainda tava com todos os timbres do show de imbé. mas, como sempre, íamos abrir o ensaio com blank, pra aquecer. em 5 segundos eu inseri meu cartão de memória pra dar load nos timbres da banda e me dei conta de que eu não tinha salvo os timbres da re:floyd. eu tinha acabado de deletar 5 dias de edição de timbres que eu considerei como 95% perfeitos em relação ao próprio pink floyd.

que merda... doeu um pouco menos do que a própria notícia da morte dele, mas simbolicamente foi mais ou menos como se eu tivesse matado o cara. de novo.

mais fotos do show aqui. e pra fechar, meu set completo pela primeira vez em ação.

quinta-feira, setembro 25, 2008

o outro enigma do pink floyd.

Semana Rick Wright - parte III

muito antes de ter sido revelado (?) o enigma publius, ou pelo menos a existência dele, o pink floyd já tinha um enigma bem mais presente.

formações de banda são algo intrigante. eu sou contra, na verdade, bandas que possuem um vocalista-vocalista, caso da hiléia e da absence of. me incomoda bastante, por exemplo, os shows do dream theater, onde o labrie some do palco por vários minutos durante as sessões instrumentais. acho isso tão ruim que eu realmente gostava quando o diogo fazia malabarismo com bolinhas de tênis (ou limões) durante YYZ, nos shows da hiléia. no mínimo ele também se divertia junto com a gente. o vocalista não é como um saxofonista contratado, que entra, faz o solo de money, e cai fora.

sempre prefiro quando o vocalista também é guitarrista ou pelo menos baixista. a formação do pain of salvation, por exemplo, é perfeita, na minha opinião: ninguém fica sem ter do que se ocupar. fora, claro, o fato de que o pain of salvation tem um time de vocais fudido. o único que não canta é o tecladista.

tem gente que diz que o pink floyd acabou no the wall. essa bobagem acaba ficando pequena quando eu vejo gente dizendo que o pink floyd acabou quando o syd barrett saiu, mas continua sendo uma bobagem. primeiro porque é foda desconsiderar o division bell, que é um dos melhores discos que eu ouvi na minha vida inteira, e é foda também pela falta de critério: se o que vale é a coesão da banda, o pink floyd acabou quando lançou o animals. o the wall já é 90% do waters, que escanteou de vez o gilmour no the final cut.

mesmo que o animals seja o meu preferido do pink floyd, pela energia que tem nele (críticos apontaram o disco como heavy metal), não tenho como negar que o auge foi 1973 com o dark side of the moon. ainda me impressiono como quatro caras conceberam essa obra, e me impressiono mais quando penso que o trabalho foi espetacularmente colaborativo: a única voz que não se ouve é a do nick mason. e é nas vozes que tá um dos grandes trunfos da banda, por ter três vocalistas de características muito diferentes.

o gilmour era provavelmente a voz oficial da banda, já que entrou pra substituir o syd barrett. era o vocal mais completo da banda, com um timbre bonito e versátil, além de talento pra interpretar (ver dogs). nick mason diz no livro inside out que os vocais da banda cresciam quando o gilmour interpretava as linhas imaginadas pelo waters. os vocais de mais força eram essencialmente com ele, como acontece em time ou young lust.
o waters era ácido e irônico quando cantava alto. conseguia parecer realmente louco. nos tons baixos ou vocais de dinâmica baixa, era a encarnação da tristeza e do desespero. essa foi a alma do the wall.
a terceira voz é uma voz difícil de definir. distante das interpretações mais viscerais que os outros dois eram capaz de dar, wright tinha outra tônica: um vocal linear, limpo, simples.

não conheço muitas vozes que conseguem transparecer isso. kevin moore, ex-DT, no chroma key, é o único que fecha perfeitamente. é o cover perfeito do rick wright. o steven wilson, do porcupine tree, também vai nessa linha, mas perde no enigma e ganha na versatilidade.

aparentemente, a voz do rick wright refletia exatamente o que ele era, pelo que se pode ler no inside out. mason define que era difícil de ver wright irritado ou chateado com alguma coisa, dado que ele era mais conhecido por "thinking about thinking". é uma voz pensativa, de fato.
não por menos, pela própria letra, ele entra no refrão de time pra ser uma espécie de fala da razão, e existe algo de enigmático na interpretação dele. também ajuda na letra da etérea echoes, e se repete no personagem passivo de wearing the inside out, no division bell, que aparentemente suporta uma transição de estados, uma situação indefinida, sabendo que é capaz de superar e ressurgir dessa situação.

ontem ainda eu tava comentando com a senhorita e-bow que ao mesmo tempo que o pink floyd não faria sentido sem os shows espetaculares, os shows espetaculares não fariam sentido sem o pink floyd. os stones colocam uma parafernália violenta, mas o carnaval me parece meio gratuito. a performance musical do último show no rio, por exemplo, não sustentou toda a pirotecnia. até na comparação com os shows do rush eu acho que o pink floyd prova que toda a tecnologia casa melhor com eles do que com qualquer outra banda. acho que nada pode ser mais emblemático pra explicar isso do que shine on you crazy diamond no pulse.

independente do enigma publius, o pink floyd tinha o enigma já no som. a mágica era diferente das demais bandas, ainda mais das demais progressivas. por exemplo, em 1973 o yes lançou o close to the edge, que é espetacular, mas parece que esbarra na comparação com o dark side por, na verdade, não ter nada para dizer. ninguém até hoje me explicou o que jon anderson e companhia quiseram dizer com aquelas letras malucas...

calçado sobre acordes de strings e hammonds, bases simples, guitarras inspiradas, efeitos mil e um time de vocais que contava com uma voz enigmática, o pink floyd é um enigma por si só. o publius é desnecessário.


obs: notem que a semana foi pro espaço. não ando conseguindo postar e vou explicar em breve o porquê. mas já é oficialmente uma BIsemana.

sexta-feira, setembro 19, 2008

hey! teacher!

Semana Rick Wright - parte II

naquele 11/08/1994, eu saí do show do pink floyd não com licks ou solos de guitarra na cabeça, mas sim com a linha de baixo de sorrow e vários, vários acordes de strings (os de keep talking, por exemplo) e hammond. na maioria das vezes, apenas tríades, tônica-terça-quinta, mas o suficiente pra sustentar uma músic.

portanto nada mais lógico que eu me tornasse baterista.

sim. baterista. porque também havia gary wallis e sua incrível bateria/percussão. um legítimo showman, pulando pra alcançar os pratos mais altos e tendo ainda um espetacular SINO no kit. learning to fly sozinha já bastava pra ver que ele tava se divertindo pra caralho.

às custas disso, eu ganhei uma bateria eletrônica Yamaha DD-14. a febre durou até 1996, quando eu cansei, frustrado por não ter uma bateria de verdade, a qual nunca rolou. então um dia aconteceu de eu me dar conta que eu conseguia reproduzir os acordes de learning to fly no meu Casio SA-21 ToneBank. eu tinha até um timbre meio parecido com aquele hammond organ. e outro dia, aconteceu de eu me dar conta de que eu tinha dois teclados. e que eu poderia montar um em cima do outro e ter dois timbres ao mesmo tempo. hmmmm...

a mágica aconteceu juntando uma cadeira que eu tinha, com braços. botei um skate atravessado nos braços e montei dois livros. botei o teclado menor na frente de tudo isso, na ponta dos braços, e montei o outro em cima dos livros que estavam em cima do skate. estava feito meu teclado de dois andares. era ridículo. os dois teclados tinham teclas pequenas e no máximo 4 oitavas. mas eu tinha 13 anos, então... dava.

como eu já tinha começado com learning to fly, resolvi partir pro resto do pulse. e tirei 90% dele. nota por nota. foi a partir daí que eu comecei a assimilar a maneira do rick wright de pensar a posição dos teclados dentro das músicas. ficou difícil de dissociar "progressivo" de "teclados" a partir daí, porque claramente eram os acordes e os timbres do cara que definiam boa parte do som do pink floyd.

e ainda hoje eu paro pra pensar no assunto. eu acabei me tornando um tecladista de dedos nervosos. não sei parar quieto e, principalmente na absence of, não resisto a dobrar uma linha de guitarra ou, de repente, ser a guitarra. mas tem horas que um acorde besta, tônica-terça-quinta. ou, mais rebuscados, existem tantos acordes bonitos que, quando bem colocados, parece que criam novas dimensões pruma mesma música. basta saber usar. esse foi o maior ensinamento que eu tive do meu primeiro professor de teclado.

segunda-feira, setembro 15, 2008

the time is gone, the song is over, thought I'd something more to say...

Semana Rick Wright - parte I

volta e meia eu penso o efeito que teria tido na minha vida se eu ou meus pais tivéssemos tido a luz de que aquele teclado Casio SA-21 ToneBank, hoje representado por um Korg e um Tokai, ia ser o início de uma paixão que ia bem além de um simples hobby. eu me ouço tocando e vejo que tudo aquilo que eu aprendi de ouvido, na base de muito esforço e de teorias musicais pessoais e, creio eu, até exclusivas, poderia exigir menos de mim se eu tivesse começado do jeito certo, sem me sujeitar aos vícios de quem aprende sozinho, tentando entender uma língua com raciocínios próprios.

mas eu acho que se eu tivesse feito isso, talvez eu também tivesse me blindado pra sempre da revolução que esse senhor provocaria anos mais tarde, no dia em que ele e uma banda que eu não fazia questão de ir ver definiram o meu amor incondicional pelo progressivo.

naquela noite, eu saí do show do pink floyd não com licks ou solos de guitarra na cabeça, mas sim com a linha de baixo de sorrow e vários, vários acordes de strings (os de keep talking, por exemplo) e hammond. na maioria das vezes, apenas tríades, tônica-terça-quinta, mas o suficiente pra sustentar uma música. mais exatamente, pra sustentar a beleza dos solos de um dos guitarristas mais inspirados de todos os tempos. aliás, eu não sei dizer até que ponto as camas de teclado do rick não foram cruciais pra que os próprios solos do gilmour explodissem in any colour he'd like. o wright fazia a cama, o gilmour fazia a fama.

se eu ou meus pais tívessemos tido a luz de me botar pra fazer aula de piano no instituto de belas artes de rio grande, eu tenho certeza que eu teria me tornado um tecladista espetacular. mas por outro lado, eu provavelmente teria deixado de me impressionar com esse cara, que foi o tecladista mais elegante que eu já vi e ouvi tocar. o rick não precisava de firulas. e é por isso que o gilmour escreveu hoje que nunca tocou com ningúem como ele. os dois sabiam fazer mais com menos, e acho que o progressivo sente falta dessa sensibilidade, hoje em dia.

esse post acabou, mas eu ainda tenho muito a dizer. começa aqui a Semana Rick Wright. até sexta pelo menos, vou tentar escrever um texto por dia sobre esse cara que foi meu primeiro professor de teclado. vai em paz, rick. te vejo no lado negro da lua.

terça-feira, setembro 09, 2008

critérios gastrosexuais.

- ...faz aquilo pra mim? engole tudinho?
- mas nem engolindo nadinha! é nojento!

no dia seguinte, na frente dele, ela repete duas vezes o mocotó dominical.

segunda-feira, setembro 01, 2008

regrado?

são 3 da manhã. depois de escovar os dentes e perceber que eu inconsciente e sorrateiramente tentava comer a pasta de dente, me rendi ao fato de que o café que eu tomei na mariana foi meramente ilustrativo, e que eu estou com uma puta fome.

depois das picanhas mal-passadas de sexta à noite e do filé à parmesão com fritas de ontem no zelig (regado a serramalte, que é sempre bom de ressaltar), iscas de filé ao molho de queijo. é por isso que tá difícil perder 2kg.

e eu nem posso reclamar do fato de eu ter fome ou tar acordado a essa hora. em teoria, no meu trabalho, sou eu que faço o meu horário.