sexta-feira, maio 07, 2010

das vezes em que eu quase morri, parte I

nos últimos anos, eu já quase morri algumas vezes. quase morri na última reta de 2009, por exemplo. quase morri indo pra praia pro feriado de finados do ano passado, também (ainda não fiz post disso, mas o arthur lembrou a cena nos comentários do post que eu linkei acima).

e quase morri em novembro de 2005. lembrei disso porque agora há pouco vi um cara comentando que o youtube tava dando um erro estranho. acessei pra ver o que era e não tinha erro nenhum, mas entre as indicações de vídeos tinha um de uma tempestade em porto alegre:


olhei a data e pensei "será?". quando aquilo (quase) me aconteceu, eu escrevi um texto e botei no meu perfil do orkut. deixei ele salvo num txt no meu micro, também. como diz a vó do samuca, "quem guarda, tem". e, realmente... a mulher filmou a chegada da tempestade que me fez passar por um dos momentos mais apavorantes da minha vida. agora lendo o texto acho que não consegui passar direito a sensação da hora, mas porra... o cara deu uma PORRADA no poste. eu jurei que os cabos iam arrebentar. e chovia tanto e o chão tava tão molhado que eu acho que não ia fazer diferença o cabo tocar em mim ou não. eu ia torrar. eis o texto:

Como eu quase morri no dia em que POA inundou.
Sexta-feira, 4/11/2005

sexta-feira, por volta das 20 horas. como de praxe, eu estava na academia. primeiro a chuva torrencial, depois as pequenas pedras, e finalmente a água atravessando a academia, entrando pela porta dos fundos com força e saindo pela porta da frente. fim dos exercícios, saída sem alongar. demos um tempo ali na frente pra ver se parava, mas são pedro não dava nenhum sinal. foda-se.

fui pela chuva com a minha toalha irônica no pescoço. a joão wallig com água pelos cantos da calçada, os carros um a um dando ré: no cruzamento da rua com a teixeira mendes a água já dava no joelho.

é uma merda andar de óculos numa chuva dessas. sem óculos tu não vê nada. de óculos também. além disso, tava difícil adivinhar onde estavam os bueiros. resolvi ir por uma ruazinha de cima.

cheguei lá, toda a água que vinha da protásio alves descia a todo pau, gerando aquelas ondas estáticas, saltos d'água. onde estão as trutas porto-alegrenses? nenhum surfista pra aproveitar a pororoca dos pampas. e eu ali olhando e pensando "merda".

voltei pra joão wallig. desisti. voltei pra tal ruazinha de cima. vi uma lotação virada pro lado da correnteza, mas quando tive a idéia de perguntar se ele ia atravessar mesmo (e se eu podia ir junto) ele embicou num portão para conseguir dar ré. mesmo assim, fui do lado:
- opa. o sr. vai tentar atravessar por outro ponto?
- não dá. a correnteza tá muito forte pra tudo que é lado.
o chácara das pedras é mesmo terrível nesse aspecto.

foi então que eu vi a vida (ou a morte?) me dar mais uma chance: a lotação estava perfeitamente perpendicular em relação ao sentido da rua. eu virei pro outro lado, para voltar para a joão wallig. o motorista deu ré, e eu escutei a batida, logo sucedido do som de algo que se estica e é puxado com violência. virei pra trás: a lotação tinha batido num poste, que ainda estava de pé. me veio aquele pavor: sem óculos eu pude ver que um feixe de cabos, ainda firme, saía daquele poste direto pra casa atrás de mim, e passavam EXATAMENTE sobre a minha cabeça. saí correndo, feliz com os engenheiros que não dotaram automóveis de segunda marcha para dar ré.

PS: mas continuo afirmando que malditos são aqueles que não inventaram o teletransporte ACME.
PS2: leptospirose?