quinta-feira, julho 09, 2009

O Assassino Terrivelmente Lento Com A Arma Extremamente Ineficiente.

"this could sound ridiculous but... he's got a... a spoon, b-but it hurts like hell!"

quarta-feira, julho 08, 2009

bem amigos...

o fenonho largou a pérola, hoje: as pesquisas que apontam o flamengo como maior torcida do brasil/mundo estão erradas porque elas pegam gente de vários estados e consideram como torcedores do flamengo aqueles que dizem que o flamengo é o seu segundo time.

e? por acaso ele acha que com o corinthians é diferente?

quinta-feira, junho 25, 2009

diferente.

michael jackson nasceu diferente. a carreira musical dele confirma isso.

aí ele decidiu ser diferente do que ele era. conseguiu: de ser humano, passou a personagem de filme de ficção científica: um cabelo bizarro, uma pele artificialmente albina, um queixo robótico e o nariz do newborn, de alien resurrection. concomitantemente, montou um parque de diversões só pra ele, aproximou-se da "causa infantil".

e manteve a mania de ser diferente até na hora de bater as botas (com moonwalk, claro): usou máscara durante uns 10 anos. quando o bagulho virou moda, ele morreu.



...ou morreu justamente porque tirou a máscara?
nhá. :P

"essa criançada..."

é muito comum falar mal de videogame por causa das alterações de comportamento que ele é capaz de causar. tipo:

mas pelo menos é um problema só dele. na rua, mesmo sem pirar desse jeito, a piazada valia muito mais aquele velho comentário "essa criançada... não é mole, hein?". a vizinhança ou os passantes sofriam o pênalti.

digo isto porque agora há pouco, no almoço, peguei um bolinho de arroz que tinha o formato do mapa da austrália. isto me lembrou que uma vez, piá, eu achei na rua uma pedra que era o mapa do brasil. e atirei num carro.

terça-feira, junho 23, 2009

buenos aires, tópico não oficial.

não é todo dia que o cara aparece na TV, e por isso vou ter que deixar o post dedicado a buenos aires pra mais adiante. não que uma coisa não tenha nada a ver com a outra. aliás, muito ao contrário: tem tudo a ver.

devido a diferenças térmicas, uma queda de temperatura violenta que rolou durante o fim de semana em buenos aires, um hotel com aquecimento permanente que deixava o ar ultra seco... me quedó la rinite (¿¿??). violenta, como sempre, apesar de bem mais fraca que aquela de maio. e voltei espirrando e tossindo, tendo um pouco de febre na segunda pela manhã.

talvez fosse mera coincidência que tivesse começado em buenos aires, e eu tinha todos os motivos pra acreditar que era, mesmo. mas pelo sim, pelo não, melhor dar uma conferida. cheguei no conceição de máscara e de repente o daniel scola veio falar comigo:
- rapaz, poderia nos dar uma declaração?
- cara, a rigor eu ainda sou só um maluco com uma máscara, mesmo...
nisso a enfermeira já foi me levando lá pra dentro, e o resultado de não ter dito nada foi isso:

é necessário ressaltar: O RAPAZ DE AZUL. sim, sou eu, em michael jackson style. mas dores no corpo? FEBRE ALTA?? ISOLADO??? a sala onde o médico me encheu de perguntas pra depois me liberar fica ao lado do lugar onde eu apareço, e tinha mais 4 pessoas. eu saí uns 15 minutos depois, SEM máscara. e dores no corpo? quem disse?

eu não vi na hora, mas do nada começaram a saltar telefone, celular, msn, email. pai, mãe, amigos, sogra e mãe de amigo meu perguntando :D. tipo isso:
"O mais engraçado é que ontem, justo na hora que eu tava falando com a minha namorada sobre o email que tu mandaste (com a história da morte súbita e tals), tu me aparece no Jornal da RBS! Huahuahauhau...Caí na gargalhada e pensei "meu deus, que peste! é só eu falar do cara que ele me aparece, mascarado, na TV"! Hehehehhe."

ahahaha. tentaram me matar na TV, sensacionalistas de merda... ah,
e 50 máscaras é só 22 reais. tenho estoque pelas próximas 4 pandemias. quem quer comprar? sim, porque pra me derrubar, tem que ser gripe eqüína. de porco, aqui, só o espírito.

sexta-feira, junho 19, 2009

Pilatos Mode On.

pelo visto, o resultado da minha enquete pela fama do blog deu aquilo mesmo. faltou gente que eu sei que lê, que inclusive constam em comentários de outros tópicos, mas enfim... não passaria muito de 5, não.

foda-se.

tou indo pra buenos aires hoje à noite, passar um fim de semana dando banda com meu pai. dessa vez, diferente de 2007, vou ver se consigo ir além do centro, do puerto madero, do raul castells (o maior garanhão da história humana, reconhecido inclusive como "Comedor Comunitario"), do campo do monumental de nuñez e de ezeiza.

e como a gripe suína tá pegando por lá, sigo a dica do andrei: vou em Pilatos Mode On e LAVO MINHAS MÃOS.

até semana que vem.

terça-feira, junho 09, 2009

que rei sou eu?

quando cheguei em guarulhos, na sexta 29 de maio, encontrei a gabriela feijã-- quer dizer, feijó (:P), amiga e colega minha desde a primeira série do colégio são francisco, eu acho. fomos colegas durante todo o então primeiro grau (exceto durante meus anos de frança) e depois de novo no CTI, no segundo. nos formamos tecnicamente nerds juntos. fazia muito tempo que eu não via ela. fez medicina, se formou e agora faz residência em sampa. até já casou.

aí fui lá falar com ela na esteira das bagagens, ela praticamente de mudança de tanta coisa que tinha pra carregar. e entre várias coisas que a gente comentou sobre a vida, ex-colegas, profissões, etc, ela me disse que lê meu blog. ela e o marido dela.

what the fuck??

o tudotemdoislados é um trabalho constante de autoconhecimento. foi criado simplesmente pra deixar eu conhecer meus textos enquanto escreve eles. fora os processos catárticos encadeados em alguns posts mais pessoais. mas enfim: não tenho nenhuma grande pretensão. eu vou onde a idéia* me levar. às vezes me leva a alguma conclusão, opinião real... ou não. às vezes eu escrevo algo mais afirmativo ou contundente só pra provocar (não que não seja algo real, mas sim que eu não falei pra acusar, e sim pra implicar, sacou? é, eu sou chato, mesmo).

mas tem um lado que eu não consigo conhecer nunca: eu NÃO SEI quem ou quantos lêem isso aqui. a gabriela foi uma de três pessoas que me disseram que liam meu blog no último mês. o google analytics me ajuda um pouquinho, mas não resolve. sempre ficam as perguntas:
QUEM É VOCÊ? QUEM SÃO MEUS 17 LEITORES? QUE REI SOU EU?


responda "presente!" no comentário, por favor. eu não mando spam nem corrente, eu não encho o saco. vai sem medo.

quinta-feira, junho 04, 2009

o referencial sumiu.

hoje a empregada não veio. eu mesmo arrumei minha cama (entreguei a piada) e, até agorinha há pouco, as roupas que eu atirei ontem no chão do banheiro continuavam exatamente no mesmo lugar. e hoje vou pro campo ver jogo.

parece que eu tou trabalhando em pleno domingo.

quarta-feira, junho 03, 2009

gipsy, gipsy, gipsy, gipsy, gipsy, gipsy, gipsy and...

existe uma sacola de vídeos "[nome do filme] in 5 seconds" no youtube. mas nenhum, NENHUM supera esse do borat.

segunda-feira, junho 01, 2009

a culpa e o medo.

ontem de manhã, pelas 7h40, bem instalado na poltrona, eu comia um sanduíche enquanto olhava pras ondas imóveis no mar. gigantescas formações de espuma branca praticamente imóveis. pelo menos é isso que as ondas parecem quando tu está olhando pela janela, a 30 mil pés de altitude. era o quarto avião em uma semana, o último do trajeto POA-SP-POA que eu fiz duas vezes.

a decolagem em guarulhos foi algo. de dentro do avião, na pista, eu olhava os outros aviões. um A320 da TAM e um gigante 747 da british airways, ambos se dirigindo pra decolagem. o legal de taxiar com o avião é que, de dentro dele, tu vê vários outros aviões. e guarulhos é um prato cheio, tem de tudo. e enquanto o meu boeing 737-300 da webjet corria na pista, olhando os aviões estacionados, eu descobri que olhar para um ponto fixo não muito distante dá um frio na barriga violento. não por menos, eu fiquei meio abobado olhando o litoral paranaense/catarinense lá de cima.

eu voei pela primeira vez aos 3 meses de idade, vindo para o brasil. deve ter sido um inferno pra quem tava perto de mim, mas o fato é que avião é uma coisa que sempre me fascinou. quando eu era pequeno e vinha a porto alegre, ir ao aeroporto era a mesma coisa que ir ao zoológico - com a vantagem de ser muito mais perto. meu pai me levava ao salgado filho só pra olhar avião.

da mesma forma, tenho tesão em voar. decolagem e aterrissagem, pra mim, são um deleite. não vejo a menor graça em voo sem turbulência. pra ter graça, tem que chacoalhar um pouquinho. e, curiosamente, esse é um dos momentos em que eu mais relaxo durante um voo. é como um berço. e isso que eu já peguei turbulência das brabas.

e aterrissar em são paulo, especialmente em congonhas, é uma emoção à parte. é um pouco perturbador quando tu te dá conta que a tua sombra nos prédios já é quase do tamanho do próprio avião. chegando em guarulhos na sexta, em compensação, pela primeira vez eu tive um pouco de medo: eu já via as luzes da pista em detalhes passando rapidamente embaixo do avião e o piloto ainda nivelava. tenho certeza que a roda esquerda tocou a pista primeiro.

aqui termina o post que eu pensei em escrever ontem. e continua o que eu não queria. tudo isso faz parte da diversão. mas uma merda como essa da air france, hoje, me deixa com uma sensação de me satisfazer de um prazer meio mórbido, me dá uma culpa que eu não deveria ter.

***

o márcio, mais uma das minhas tantas despedidas do ano, foi fazer doutorado na frança e voou pra guarulhos na outra sexta, ainda, saindo de porto alegre duas horas antes de mim. cheguei na capital paulista meia hora depois dele decolar num air france rumo a paris.

ir a são paulo duas vezes em 9 dias foi uma quebra de rotina meio violenta. em duas sextas-feiras seguidas, eu segui exatamente o mesmo roteiro: webjet POA-Guarulhos às 17:45, airport bus service até congonhas, taxi até o hotel na vila mariana. o mesmo hotel nas duas vezes, só mudou o quarto. e fazendo um bate-volta, o esquema cansa e a cabeça às vezes confunde o pouco. foi tudo tão repetido entre a primeira e a segunda ida que parece que eu só fui uma vez e que o márcio não foi na sexta retrasada, mas sim na última sexta.

por isso, quando veio a notícia hoje de manhã, por meio segundo eu me senti suspenso no ar com a cabeça tão cheia de pensamentos ruins ao mesmo tempo que foi como se ela estivesse exatamente o contrário: totalmente vazia. até que eu lembrei que ele tinha ido no outro fim de semana, já tinha mandado emails, falado comigo no msn e postado fotos de paris no orkut.

senti meus pés no chão de novo. infelizmente, outros que, como eu, ficaram no brasil, talvez fiquem pra sempre com os pés suspensos, presos no A330 da air france.

***

mas a questão é: como viver com medo de morrer? ou como viver sem viver? nunca mais pegar um avião? nunca mais sair na rua? claro que não.
não vai acabar com o meu prazer de voar mas, ao menos momentaneamente, estragou todas aquelas coisas que eu senti ontem, bem instalado na poltrona, comendo um sanduíche e olhando as ondas imóveis no mar.

sexta-feira, maio 29, 2009

deus está nas pequenas coisas.

trabalhar em casa tem suas vantagens. a maior delas é poder roubar as massas de panquecas logo depois de serem fritas, ainda quentes e sem recheio.

certo que na realidade jesus não deu pão pros apóstolos na santa ceia. se ele era o Filho do Homem, mesmo, ele deu panquecas. e se ele era esperto, o santo sudário também era, na verdade, uma panqueca gigante. se me enterrarem enrolado numa panqueca gigante, eu juro: eu também ressuscito com todas as minhas forças.

obs: as marcas do rosto e corpo de jesus no santo sudário são lenda. na verdade, eram apenas as marcas de de queimado da frigideira que fritou esta grande panqueca.

segunda-feira, maio 25, 2009

gerações e gerações de nerds, parte 1.

hoje, 25 de maio, é o dia do orgulho nerd. tecnicamente, sou um deles. diplomado, inclusive. sou técnico em processamento de dados, formado pelo colégio técnico industrial da então fundação universidade federal do rio grande (CTI-FURG). nada comparado ao chuchu, vulgarmente conhecido como márcio. ele se formou pelo mesmo CTI, depois pela PUC, depois pelo mestrado da PUC e, na última sexta, partiu pra frança, rumo ao doutorado. detalhe: na graduação da PUC, ele foi laureado.

ou seja: master nerd. e como ele é? cara alto, magro, boa pinta, já fez um show de metal de sapato social e uma camisa meio pagodeira mas na média se veste bem, pratica esportes, mal usa óculos e, pelo que me contava e pelo que eu calculo, comia gente com alguma regularidade. me desculpem, meninas, se é que alguma menina lê isso aqui. e ele ainda tem uma camiseta onde está estilosamente estampado: "NERD".
e eu, como eu sou? quase a mesma coisa: apenas nunca fiz show de metal com sapato social e camisa meio pagodeira, uso óculos "a valer" e não como gente, pois tenho namorada - namoramos no portão.

a kátia suman, via programa dela na tvcom, entrevistou alguns nerds. com toda sinceridade: 4 pessoas fisicamente feias, 2 delas bem acima do peso (outra PRA CARALHO), todas de óculos, uma com uma camiseta com alguma frase sobre nerds escrito num layout imitando star wars. falando sobre computadores, videogames e afins. eram estereótipos, caricaturas de nerds.
até que o grupo chega à conclusão surpreendente de que hoje somos todos nerds. todos estamos o dia inteiro na frente do computador, todos temos multimídia no celular, blogs, twitters, etc.

se isso é ser nerd, fato: já há gerações de geeks por aí. e nós, seres humanos, seremos irremediavelmente nerds por todo e para todo sempre, a menos que haja um cataclisma e que tenhamos que começar das cinzas, do zero.

mas se era pra concluir isso, então por que raios os nerds chamados pro programa tinham de ser tão NERDS?

quinta-feira, maio 21, 2009

replay.

do post a cara do tango, aqui mesmo no ttdl, em 5/6/2008:
"mas o que interessa MESMO é que dizem que o riquelme, aqueles olhos caídos e expressão chorona que fez uma barreira recuar mais 1 metro além dos 9,15m regulamentares, é a cara do tango. pois ontem ele era só cara de cu.
TE FODE, BUÊCA!"


pois hoje, mais uma vez: CARA DO TANGO, CARA DE CU!
ADIÓS BUÊCÁ!

terça-feira, maio 19, 2009

se os porcos falassem...

essa gripe suína é muito curiosa. já chegou nos 10.000 infectados pelo mundo e tal. pelas últimas notícias, os chineses são a novidade. ou quem sabe os japoneses, não sei. são todos iguais (não diga pra eles).

duas ou três semanas atrás o fantástico botou no ar uma reportagem sobre o primeiro de todos os casos. o piá, de 5 anos, passou 2 semanas mal, mas agora tá correndo na rua e jogando bola. além disso, boa parte dos que foram correndo pro hospital achando que tavam com a doença na real tavam com outra coisa. os caras entraram em desespero imediato e total.

hoje, se ouve notícias no rádio, mas no jornal ela já perdeu espaço. no globo.com, terra e clicrbs não tem nada. e qual a moral? a moral é que tava faltando um fato novo: desde junho do ano passado só se fala da crise econômica mundial. nem o obama conseguiu substituir - só rivalizou por uns tempos. a mídia tava desesperadamente precisando mudar de assunto. então taí. essa é a gripe suína, a wannabe-pandemia que continua matando menos que a gripe normal. e tomara que eu NÃO queime a língua. o RS já tá mals segurança. a hora que a gripe do porco chegar aqui, ainda ficamos sem a brigada militar...

***
gripe aviária ou do frango se justificava, mas dessa vez o porco pagou o pato. a gripe era suína e mesmo assim comer carne podia? então não é suína, porra! chama de chicana, sei lá! o que não pode é deixar a bola quicando: milagre os ecoloucos e defensores dos animais não terem entrado com processos por danos morais.

quinta-feira, maio 14, 2009

intertexto.



muito legal essa propaganda do HSBC, nomeada "bebê gigante". mas achei muito curiosa a coincidência de ligar um bebê gigante a serviços/questões financeiras, porque uma das músicas que eu mais tenho escutado atualmente faz exatamente essa associação, só que na letra bem bolada de everything's ruined, do faith no more, o bebê gigante é o capitalismo, e o que começa com um genial "we were so happy" termina repetindo o título do som.
o clipe tem imagens de família aleatórias, e até o clima de gozação da banda, junto com as imagens da montagem de chroma key tosca ao fundo, rende um certo ar de oba-oba. que deve ser bem a moral da história, mesmo: as coisas deram mais certo que a gente esperava.


we were so happy...

things worked out better than we have planned
capital from boy, woman and man
we're like ink and paper
numbers on a calculator
knew arithmetic so well
working overtime
completed what was assigned
we had to multiply ourselves
a bouncing little baby
a shiny copper penny

and he spent himself
would not listen to us
but when he lost his appetite
he lost his weight and friends

baby became a fat nickel so fast
then came puberty
exponentially
soon our boy became a million

people loved him so
and helped him to grow
everyone knew the thing that was best
of course, he must invest

a penny won't do
no, a penny won't do
a penny won't do
no, a penny won't do

but he made us proud
he made us rich
but how were we to know?
he's counterfeit

now everything's ruined

terça-feira, maio 12, 2009

depois da gripe suína, a rinite sulina.

eu espirro profissionalmente desde os meus 7 ou 8 anos, coisas tipo de 10 a 15 espirros numa seqüência. são espirros pra macho - de elefante. a principal diferença entre um espirro meu e uma falta cobrada pelo roberto carlos (nos bons tempos) é que eu não sei espirrar de trivela.

sempre foi um caos detectar as razões por trás dos fatos. entre 15 e 20 anos atrás, as suspeitas eram de sinusite, mas ninguém jamais confirmou. há alguns anos eu passei a acreditar na rinite, e é o que parece mesmo. em todo caso, esse tempo todo eu nunca cheguei a realmente me incomodar... tanto quanto ando me incomodando agora: do ano passado pra cá as crises começaram a se superar, e esse ano eu finalmente cheguei duas vezes a algum estado de quase invalidez. espirrar várias vezes na seqüência, várias seqüências no dia, vários dias na seqüência. estourando vasos sangüíneos e, ao final do dia, tendo dores nos músculos do peito, do braço esquerdo (infarto? wtf??), abdominais, pescoço e costas, espirrando curvado, já. sem nenhum exagero: dores assustadoras. pela primeira vez na minha vida, me ocorreu que é possível, sim, morrer de rinite. uma sensação de implosão.

então hoje acordei tossindo dor, ou doendo tosse. a garganta em frangalhos depois de dois dias de tosse moderada, alguma febre e dor de cabeça. fui à guerra. cheguei no mãe de deus center antes das 8h30. peguei senha pra atendimento clínico geral. clínico geral me mandou pro otorrino. dormi na sala de espera. acordei bem na hora do médico abrir a porta e dizer "vinícius?". diagnóstico: rinite. receita: zyplo e injeção de diprospan, que eu tinha que tomar no térreo, no MDC. desci. mais uma senha. a atendente me informa que eu preciso comprar a injeção. fui na farmácia, comprei o diprospan, zyplo não tinha. MDC de novo, mais uma senha. mais um tempão esperando passar 2 números até eu ser atendido, viva o iPod shuffle, o velho.

quando eu vi, já eram 11h da manhã. a injeção em si levou 2 segundos, e então fui em outra farmácia comprar o zyplo. cumpri com louvor tudo o que eu tinha pra fazer. eis uma manhã produtiva.
¬¬

***

diálogo absolutamente imbecil entre eu e uma senhora no elevador do MDC, às 9 da manhã. ela, ameaçando apertar no "P":
- a portaria é o térreo, né?
- sim, é o que dá direto pra rua.
- não. eu não quero a rua. eu quero o térreo.

foto-legenda

(sem hífen, talvez...)

baita foto da magda koenigkan no correio do povo hoje. não, não tenho como escanear. sim, eu poderia bater uma foto e postar ela aqui. mas e a fadiga, como fica? tou doente, porra!

enfim. se puder, procure a foto. e depois responda qual seria e legenda correta:
a) Magda Koenigkan em marchinha de Carnaval em recente Enterro dos Ossos.*
b) Magda Koenigkan treina para campeonato de air drums.
c) Magda Koenigkan contratada como nova garota propaganda da Brahma na campanha que marca a volta do clássico slogan "A número 1".
d) Yeda com o crusius na reta: "Cala a boca, Magda".
c) outra: _________________________________________

* true evil black-almost-blue humour. foi mal, mas eu tou doente, porra!

sexta-feira, maio 08, 2009

a verdade da galáxia.

e tem aqueles dias que o cara acorda com um aspecto capilar que parece ameaçar uma careca, sacaneando com falsas entradas. hoje foi um deles.

mas aí é só tomar um banho que já era. serei, mesmo, apenas um grisalho.

***

esses dias eu tava dando uma navegada pelo orkut, e me deparei com um amigo meu que, historicamente, sempre foi um ano mais novo que eu, exceto nos 2 meses que separam os nossos aniversários - o dele antes do meu. e foi com algum pavor que eu descobri que ele fez 26 esse ano: pra mim, ele sempre teve 22. EU, que sempre tive no máximo 23, faço 27 virando a esquina.

e de repente juntei os fatos: todos nós, da gurizada de rio grande, já estamos formados. até mesmo aqueles que tinham cursos de 5 anos. um já tem uma especialização, outro já tem mestrado e tá indo fazer doutorado na frança daqui a 15 dias. dois foram brincar de casinha: um em caxias, outro em kill devil hills, onde foi para trabalhar. um outro foi pro rio pra trabalhar e confirmar que, como a gente já sabia, seria o primeiro de nós a ficar rico. e ainda tem aquele que já fez 31.


é isso. o churrasco desse fim de semana vai ter só 3 dos 7 caras principais. de janeiro pra cá, 4 foram ou estão indo embora. em rio grande mesmo só sobrou 1, e só porque resolveu fazer outra faculdade.

menos mal, na verdade, que sejam 27. tempos atrás eu respondi que esse ano fazia 28. mas
é uma grande viagem pensar na inevitável chegada dos 30. aos 30 meu pai se tornou pai - meu pai. e durante toda a minha vida esse sempre pareceu um marco definitivo. os 30. "aos 30 os homens são pais. 30 é a idade ideal para ser pai". hoje os 30 tão logo ali, e eu não me vejo sendo pai de ninguém.

fim de semana geriátrico no litoral norte gaúcho.

e o título desse post vem basicamente do fato que eu sempre quis usar esse verso do nei lisboa em algum texto aqui.
eu visito estrelas, lendas, poesias
procurando um verso que dissesse tudo
a verdade da galáxia
se algum dia o sol vai derreter

mas aí ouvi ela e lembrei que ela também diz que
barões, fragatas, plutônios, neurônios explosivos
não impedirão que o ciclo evolutivo do planeta cumpra o seu dever
mas dando no que der já sei que um dia vou morrer

é... no fim das contas, tem a ver.

quarta-feira, maio 06, 2009

troverine.

ontem fui ao cinema ver o X-men origens e quando hugh jackman apareceu na tela, um cara gritou na sala escura:
- CORINTHIANO DE MERDA!



...

nah. é mentira. eu sequer fui ao cinema ontem.
mas seria algo interessante de se contar.

quinta-feira, abril 16, 2009

o meu verdadeiro eu. ui.

já fui entrevistado algumas vezes na minha vida. não lembro de nenhuma situação que fosse algo absolutamente relevante. tipo: eu fui entrevistado duas vezes já pelo meu próprio pai, no metamorfose, que é um programa da Rádio Universidade da FURG com (já) 20 anos de existência. o metamorfose é um programa sobre música, portanto era disso que eu ia lá falar. acho que a primeira vez meu pai aproveitou uma lacuna na programação e me levou simplesmente para falar do meu gosto musical pessoal, fazer uma seleção de músicas, etc.

uns anos depois eu voltei lá, mas dessa vez na condição de músico, membro de uma banda. fui lá pra falar da hiléia, de como o meu gosto musical e o dos guris influenciava a banda e tal. rolaram bandas de influência direta para nós e outras que faziam parte do meu gosto musical, mas que inevitavelmente acabavam sendo influências indiretas.

também já fui entrevistado sobre futebol. em 10 de junho de 2001, na saída de grêmio 2 x 2 corinthians da final da copa do brasil, eu fui atacado pelo repórter de uma rádio que eu nem lembro o nome (guaíba, talvez). o cara me perguntou como eu achava que o grêmio ia para o segundo jogo. até hoje eu me divirto como eu, completamente pirado pela "virada" do tricolor, dei uma resposta tão lúcida:
- acho que o grêmio vai com toda a moral. afinal o corinthians começou ganhando de 2 a 0 e agora o medo é deles. o grêmio está virando o jogo.
aí no final eu estraguei tudo. o cara deu o obrigado dele e eu chamei de volta:
- cara, posso mandar um abraço?
- claro. manda.
- queria mandar um abraço pros meus pais e meu irmão em rio grande e um abraço também pro pessoal da minha banda. HILÉIA METAL PROGRESSIVO NA CABEÇA GURIZADA!
o cara me olhou com cara de "ah pára, mongolão":
- ah tá. falou.

na verdade, ano passado eu fui entrevistado pela assessoria de imprensa de um dos meus clientes sobre o conceito/criação da campanha de aniversário deles. taí: uma entrevista relevante.

mas fazia um tempinho já que eu não tinha a chance de falar sobre o meu assunto preferido seguindo as perguntas de outra pessoa. ainda mais de uma pessoa que estivesse falando comigo só por isso. e foi o que aconteceu faz algumas semanas. existe uma comunidade no orkut que é a imprensa musical em rio grande. ela foi criada por um velho conhecido meu do mundo musical rio-grandino, o rick, que chegou a ser baterista da hiléia. ele é um cara viciado em divulgação de material musical. editava e-zines, inclusive. a comunidade é, de certa forma, onde ele deu seqüência a esse trabalho.

o rick postou a entrevista na comunidade. rolaram uns comentários que eu jamais esperaria, inclusive. e eu decidi então também postar ela aqui. poucas vezes eu pude falar com tanta franqueza o que eu realmente penso das músicas que eu faço - e sem que o assunto parecesse um grande monólogo. espero que vocês se divirtam lendo tanto quanto eu me diverti fazendo. eu corrigi uma ou outra coisa que ficou torta na edição final do rick, mas é isso aí mesmo. detalhe: foi tudo via MSN.

Imprensinha diz:
teste
som
ok
Imprensa Musical em Rio Grande dando continuidade a seu projeto de entrevistas via log de MSN
agora contando com o tecladista Vinícius Möller, erradicado aqui em Rio Grande, vivendo há algum tempo em Porto Alegre
ele é ex-tecladista da banda de prog metal HILÉIA, atualmente membro da ABSENCE OF...
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
fundador da ABSENCE OF, mais precisamente.
Imprensinha diz:
[thanks!] a banda HILÉIA que deixou um legado de duas músicas, chamadas The Worst Day Of Your Life e Unleashed, ambas disponíveis no HD Virtual local !
desde o término das atividades com a HILÉIA, Möller, como foi o processo de cicatrização das "feridas" e como você chegou à formação da ABSENCE OF...?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
o primeiro momento foi totalmente gay: eu tinha certeza que eu nunca mais ia ter uma banda naquele feitio e que eu nunca mais ia ver músicas minhas sendo tocadas e incrementadas por outros caras. primeiro, porque eu não conhecia tanta gente em POA na época... segundo, porque me parecia que todo mundo que eu conhecia em POA e que tocava já tinha sua banda. e que mesmo que topassem entrar na nova banda comigo, dificilmente ia se formar um vínculo de amizade tão forte quanto era na HILÉIA.
só que eu dei sorte: 3 dos caras que eu chamei tocavam na mesma banda, e quando eu convidei eles, eu comentei que não sabia como íamos lidar com o fato deles já terem outra banda com um som até parecido, mas que a minha idéia não era acabar com o som deles.
aí o orontes, o guitarrista, me falou: "nah, mas a EKTAPANG tá indo pros seus finalmentes, mesmo". ele e o chan, baterista, toparam na hora. o daniel, baixista, levou mais um tempo, mas já tava inclinado.
mas o principal motivo pra eu montar essa banda foi mesmo o fato de que 3 dias antes da HILÉIA acabar oficialmente, o nome "ABSENCE OF" me veio na telha assim, DO NADA, no meio do trabalho. eu fiquei meio de cara porque achei do caralho, cheio de significados, mas sabia que a HILÉIA nunca ia topar trocar. até nisso eu dei sorte...
Imprensinha diz:
formado o embrião da ABSENCE OF... como chegaram ao versátil vocalista que vocês possuem e quais são as vantagens de possuir um elemento com tal facilidade de passeio entre graves e agudos?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
o arthur era um velho desconhecido meu. eu já tinha ido ao aniversário dele, já tinha derrubado cerveja nele, ele já tinha me convidado pra fazer uma banda cover de MARILLION mas um jamais tinha visto o outro cantar ou tocar.
eu declinei o MARILLION por falta de tempo e de um teclado mais poderoso. quando decidi formar a AO, eu tinha tudo isso de novo. e chamei ele pra conversar. ele topou na hora.
eu considero o arthur um ponto crucial pro início da banda, mesmo que ele tenha sido o penúltimo a dizer "entrei". eu tava tentando evitar a todo custo colocar um "regular metal singer" na banda, que achasse que andré matos (ex-angra) era tudo e só quisesse cantar nos agudos. eu queria que a AO tivesse um vocal HUMANO.
um cara que tem o fish, do MARILLION, e o peter gabriel como 2 dos seus principais ídolos certamente ia cair como uma luva no que eu queria. e o arthur ainda curtia horrores PAIN OF SALVATION, PORCUPINE TREE, entre outras. e escrevia letras e tal. no primeiro ensaio eu fiquei apavorado com quantos acertos eu tinha no line-up da banda. ele e todos os outros.
Imprensinha diz:
indiscutivelmente outra das características que chama a atenção na música da ABSENCE OF... é o ecletismo, além da certeza de que você não está ouvindo nada com uma suja intenção de meramente copiar algo já anteriormente composto. queria que tu nos contasse como é que rola a composição na ABSENCE OF... tanto em termos de som, quanto em termos de letras?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
teve uma vez em que eu tinha a clara sensação de que uma das nossas músicas tava ficando completamente aleatória e sem sentido. aí eu caí na besteira de dizer "tá ruim". os caras ficaram muito putos MESMO comigo. praticamente ofendidos.
mas foi a única vez.
na real, depende. depende inclusive de quem tá propondo o novo tema ou música. eu, por exemplo, prefiro mil vezes bolar a música em função da letra. vejo grandes ídolos meus, como o DREAM THEATER, que cada vez mais criam letra em cima de música e os CDs andam sendo uma bosta. acho que a música só tem sentido se casar com a emoção que a letra transmite.
em compensação, normalmente a gurizada preza mais pela espontaneidade da música. nesses casos, a gente começa bolando coisas no estúdio, juntando e adaptando idéias e normalmente quem faz a letra é o arthur, apesar de também já ter acontecido de eu ter casado letras minhas em músicas dos outros que já tavam praticamente prontas (caso de Blank).
então, às vezes a gente tem músicas sendo trabalhadas no estúdio e outras que um ou dois de nós estão desenvolvendo em casa. nesse segundo caso, normalmente a idéia do autor tende a ser respeitada e priorizada. mas a gente costuma ser bastante tolerante com sugestões surgidas na hora por outros integrantes.
as letras, especificamente, são quase todas minhas e do arthur, sem nenhum tipo de hierarquia nisso. aliás, sempre que possível, a gente escreve em parceria. um manda pro outro e diz pra escrever uma estrofe que falte, seja isso porque não conseguiu escrever direito ou simplesmente porque quer que o outro escreva.
Imprensinha diz:
me corrija se eu estiver errado, mas todos os integrantes da banda são - de alguma forma - produtores também, confere? sabem mexer com programas de edição e contribuem nesse aspecto também para a banda?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
sim. cada um de nós já faz a sua pré-mixagem. o nosso processo se dá da seguinte forma: nós gravamos em casa (exceto batera e vocais) e mandamos pro Valmor Pedretti Jr, que além de compositor da Lado B (produtora de audio) é líder da WORLDENGINE, banda da qual eu fiz parte há alguns anos.
o valmor é um grande parceiro nosso e saca pra caralho o nosso som - e talvez qualquer som que seja. ele recebe os arquivos e vai montando pra dar a mixagem final e depois masterizar. mas antes de mandar pra ele, nós mesmo já damos uma cara pros respectivos instrumentos. os teclados que eu mando normalmente já são bem próximos da versão final, salvo alguns efeitos mais mirabolantes. mesmo assim, o valmor sempre tem sinal verde pra dar uma pirada. aliás, a gente espera que ele dê o toque de midas dele. ele manja muito.
câmbio.
(herauihraeiuhrae)
câimbra.
Imprensinha diz:
Agora referente à frutos e reconhecimento... Sei que a banda trabalha bastante a sua rede de Myspace. É o foco principal de divulgação? Já teve algum espaço em demo section de alguma revista nacional ou estrangeira? Se sim, quais? Se não, por que não?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
o myspace anda bem parado, na verdade, e isso é culpa minha, porque eu cuido dessa parte. a demo section AINDA não rolou, mas já tá praticamente tudo encaminhado pra gente mandar nosso primeiro material, com as 4 primeiras músicas que estão lá no myspace. mas por enquanto, certamente o myspace é o veículo principal de divulgação.
Imprensinha diz:
câmbio né
quiaquia
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
arhuihrea. esqueci. câmbio.
Imprensinha diz:
As músicas da ABSENCE OF... possuem, como já mencionamos, elementos de diversas naturezas. 80's pop, heavy metal, progressivo, new age. É de uma forma consciente que a banda equaciona estas diversas nuances? Se tu pudesses equacionar o som da ABSENCE OF... usando 5 bandas, quais seriam as que formariam a "fórmula influencional" da banda, em ordem de importância?
[se nao ficou clara a pergunta, eu refaço]
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
muito clara.
Imprensinha diz:
ok, então não refarei a pergunta :]
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
é consciente, mas não costuma ser proposital. já chegamos e dissemos "esse som é um clima tipo aquele", mais pra levar adiante a idéia e todo mundo entrar no clima da música, do que exatamente pra dizer "caras, vamos fazer um som tipo aquele". mas tem horas que não dá pra negar as semelhanças. eu mesmo curto muito ficar pensando em de onde saíram os temas que eu coloquei nas minhas músicas.
e a fórmula influencional... vou tentar ser imparcial heheheh:
- PINK FLOYD
- PORCUPINE TREE
- MARILLION
- FATES WARNING
- DREAM THEATER VELHO (inevitável)
Imprensinha diz:
certo, e das 4 músicas que o HD Virtual dispõe, da Demo 2007, qual é aquela que tem mais a cara da banda? aquela que os membros da banda concordariam em transformar em "música de trabalho"? e qual delas é a que mais te agrada, pessoalmente? [tri professora da faculdade]: justifique suas escolhas:
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
putz. se só tem 4, já tá faltando uma!
1. CARA DA BANDA: GOODBYE BUNKER HILL
pela complexidade em termos de modulações, pela complexidade na estrutura. pelo climão dela, especialmente no meio da música. a banda curte muito essas climas em que as coisas pairam no ar e de repente desaba tudo. e pela performance da banda. tem trechos muito furiosos ali.
2. MÚSICA DE TRABALHO: ONE WARM DAY ou BLANK
nossa natural famous pop song sem dúvida é OWD. é um 4/4 bem radiofônico, riff chiclete e tal. mas preserva o clima "suspenso" na parte do meio. também modula legal nos refrões, com uma puta atuação do arthur durante toda a música. e ainda tem os meus backings no final, que eu curto muito! hahaha
acho que na verdade BLANK seria uma boa música de trabalho pra vir DEPOIS de OWD.
caralho. o msn fechou do nada!
voltando.
3. MÖLLER'S FAVE: WHO?
comecei a compor ela em 2002, um ano antes da HILÉIA gravar THE WORST DAY. chegamos a tocar ela ao vivo duas vezes em 2005, pouco antes da banda terminar. quando montei a AO, essa foi a primeira música que eu mandei pros caras...
e ela tem coisas que eu, compreendendo meu momento nepotista, acho perfeitas, pelo menos segundo os meus critérios de qualidade musical. a relação letra/música, por exemplo... eu escrevi a letra pensando em duas músicas francesas, cada uma de um compositor. eu queria escrever como se fosse o "outro lado" da história. e a música, mesmo tendo começado antes da letra, acabou se moldando a ela.
o único defeito é que eu sonhava que ela ia ter no máximo 3 minutos. não deu. ahahaha
Imprensinha diz:
bem, sendo o Imprensa Musical uma entidade que representa a música de Rio Grande, não há como não tocar no assunto HILÉIA. quais são as melhores memórias que tu carregas desta banda? e qual é a tua versão pro precoce desfecho desta entidade musical riograndina? além disto, quando ouves as músicas da HILÉIA atualmente, fica aquele sentimento de "poderia ter ficado bem melhor"?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
as melhores memórias, disparado, são, nessa seqüência:
- o dia que a gente gravou THE WORST DAY no Mandeco, em Pelotas. aquela foi, de fato, a minha primeira música PRONTA.
- os shows em RG e em PEL em que as pessoas CANTAVAM o refrão de THE WORST DAY. isso não tem preço.
a HILÉIA acabou porque a galera tava toda espalhada pelos cantos e era difícil juntar todos em Rio Grande no mesmo fim de semana. quando tu não tem contato seguido, as falhas de comunicação imperam. e aí implodiu.
e sim, poderia ter ficado melhor. THE WORST DAY só me incomoda de verdade em um pequeno detalhe: a caixa da bateria poderia ter ficado um pouco mais gorda, menos tirinho. já UNLEASHED me incomoda muito. a mixagem dela ficou muito aguda, até meio artificial, pra mim. falta peso nela. e sobra reverb. com certeza eu regravaria, porque a música em si eu acho do caralho.
Imprensinha diz:
ela é realmente bem a frente do seu tempo. especialmente em termos de Rio Grande... como sabes, o público de rock e metal aqui de Rio Grande ainda é bem preso a pré-conceitos e não tem o costume de ampliar muito os horizontes musicais e intelectuais. Até que ponto tu achas que isso dificulta a penetração do som da ABSENCE OF... aqui por estes lados? Afinal, há um pesado estigma contra qualquer coisa que receba a alcunha "progressivo" estampado na mesma. É um estilo tido como retrógrado, auto-indulgente e maçante. Em defesa do seu campo de atuação artística, o que tu poderias dizer para convencer o público de Rio Grande que "não é bem assim"?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
bom... a dificuldade pra AO começa pelo fato de que o nosso progressivo, justamente, não tá preso ao prog tido como O PROG. por exemplo: Yes não é uma das influências que eu citei ali na lista das 5 bandas. e realmente a gente tá muito pouco preocupado em demonstrar o quanto a gente toca.
na verdade, eu considero que se a gente resolvesse fazer um som tipicamente DREAM THEATER, cheio de técnica pra todos os lados, a gente ia falhar. nenhum de nós é tecnicamente virtuoso na banda. e acho que isso explica bastante a presença de PINK FLOYD, MARILLION e PORCUPINE TREE no top 3 das influências que eu citei. são (ou eram) bandas muito mais preocupadas com a idéia do que com a forma.
até mesmo dentro da banda já tivemos discussões sobre prog moderno x prog setentista. nas duas épocas houve bandas que queriam tocar todas as notas do mundo em uma música e bandas que queriam simplesmente desenvolver um tema musical ao longo de uma música ou de um disco. a gente tende a tentar achar o meio termo.
e na minha opinião, as bandas que tentam ser o novo DREAM THEATER acabam quase sempre virando uns clones chatos. atualmente, são essas que me parecem as bandas verdadeiramente retrógradas. já faz 17 anos que o DT lançou o Images and Words. já tá na hora de tirarem o rótulo de "punheta complexa" que o metal progressivo ganhou. o conceito de música progressiva é MUITO maior do que isso.
pra fechar esse raciocínio, eu tenho convicção de que a ABSENCE OF tá longe de ser uma banda que faz progressivo pra parecer intelectual ou se achar uma banda difícil. a gente não faz questão nenhuma de ter trechos enfadonhos ou de mostrar que nós temos conhecimentos musicais complexos.
no fim das contas, o progressivo periga até ser uma desculpa que a gente usa pra simplesmente fazer as músicas que a gente sente que fazem sentido. seja fazer sentido em relação ao que a gente julga ser o nosso som e fazer sentido em termos do que pode significar pra quem ouve. ano passado eu mandei a faixa “WHO?” pro concurso da comunidade Rock Progressivo no orkut, a famosa ProgVacas: ganhei meu dia quando um cara comentou que a progressão do feeling na música era espetacular. era exatamente o que eu sonhava que algum dia alguém reconhecesse sobre ela. foi pra isso que eu trabalhei nela.
música tem muito a ver com sinceridade.
Imprensinha diz:
eu só tenho mais 3 perguntas oficiais
são clichês de revistas de rock e tal
eu digo o nome de um artista e vc escreve economicamente [não laconicamente] sobre o mesmo/a
deal?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
manda
Imprensinha diz:
alex lifeson?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
ele sente a música antes de pensar nela. o RUSH seria 50% menos espontâneo sem ele.
Imprensinha diz:
daniel gildenlöw?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
deus. e se o homem fosse feito à sua imagem e semelhança, a gente ia ser feio pra caralho (mesmo que TODAS as gurias que foram no show do PAIN OF SALVATION em 2005 discordem de mim. se ele quisesse, a gurizada toda voltava solteira pra casa).
Imprensinha diz:
perfeito
mais 4 ae
Mike Portnoy
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
difícil resumir... peraí. [longa pausa]
ele é o ronaldinho gaúcho. ele tinha tudo pra ser o melhor do mundo por uma década seguida. mas depois que disseram que era o melhor do mundo 2 ou 3 vezes, achou que era isso... nunca mais evoluiu em nada. hoje só quer saber de vender DVD.
Imprensinha diz:
bem colocado
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
o portnoy tá até hoje estacionado no ano de 2003.
Imprensinha diz:
não existe DREAM THEATER após Octavarium
só existe o corporativismo explícito
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
após o six degrees, na minha opinião.
Imprensinha diz:
Steven Wilson?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
SW é o oposto necessário e saudável ao Daniel Gildenlöw em termos de letrista e compositor. menos teórico, mais centrado no comportamento das pessoas do que nas teorias e motivos. os dois são os dois adolescentes mais velhos do prog metal atualmente, e enquanto o DG é um adolescente revoltado, o SW é um adolescente irônico e pessimista. mas os dois são ultra perspicazes.
Imprensinha diz:
é o meu favorito da relação de músicos que estou mandando!
mais 2:
Richard Wright [R.I.P.]?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
a voz mais enigmática de todos os tempos. quando ele morreu, passei o dia tentando não chorar. não consegui, e até hoje choro pensando que, se não fosse por ele tocar do jeito que ele tocava, eu provavelmente nunca saberia que tem horas que um acorde de 3 notas basta.
Imprensinha diz:
admiro sua entrega ao escrever sobre ele
queria que o texto do teu blog tivesse parado no Imprensa
eu li aquele texto e me caiu o queixo
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
é mesmo? não sabia que tu tinha lido. ou não lembrava.
Imprensinha diz:
aham
e Vinícius Möller?
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
bãi. uma mala. não consegue ver um treco errado e deixar errado. se o erro for dele mesmo, então... não aprendeu a fazer as coisas meia-boca e se perdoar por isso: vai ficar se martirizando até a morte. obsessivo por músicas redondas, por músicas que casem com as letras e com letras que digam alguma coisa de verdade. odeia que não entendam o que ele disse.
Imprensinha diz:
então, pra fechar
5 melhores álbuns para Vinícius Möller [xérox Roadie Crew mode on]
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
PINK FLOYD - The dark side of the moon
STING - The soul cages
PAIN OF SALVATION - Remedy lane
DREAM THEATER - Six degrees of inner turbulence
THE POLICE - Synchronicity
Imprensinha diz:
feito então, Vinícius!
manda recado aí para todos os que vão ler essa longa - porém muito saudável e recompensadora entrevista
seja no seu blog, seja no Imprensa
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
yeah
antes de mais nada, obrigado (se o leitor conseguiu lutar e ler até aqui AHAHAHA). obrigado ao Imprensinha por ter achado que valia a pena bater um papo comigo e REALMENTE me dar a chance de falar essas coisas não em forma de um texto meu, mas sim respondendo a perguntas de outra pessoa (é chato escrever pra si mesmo).
e... se eu tivesse um recado útil pra dar, seria pro pessoal apostar em gravações caseiras. uma placa de som e uma mesinha de mixagem às vezes resolvem muita coisa. porra, o que tem de festival de banda cover aqui em POA atualmente é uma vergonha.
tenho a CLARA sensação de que as bandas autorais pequenas tão perdendo espaço pra coisas bem menos genuínas.
Imprensinha diz:
e, como diria aqueles caminhões ou carros de auto-escola na parte traseira. "como estou entrevistando?"
vinícius | myspace.com/absenceofbr diz:
tchê, achei isso 10. achei genial MESMO.

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entrevista conduzida por Rk.
edições e revisão por Musique.
em 17/03/2009